A 3tentos (TTEN3) deu início, nesta quarta-feira (20), às atividades de sua primeira unidade dedicada ao etanol de milho em Porto Alegre do Norte, no Vale do Araguaia (MT), após receber a autorização regulatória da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O arranque das operações processa 2,8 mil toneladas de milho por dia e materializa um pilar estratégico para a diversificação da receita e a consolidação da presença da companhia no segmento de energias renováveis.

Consolidação do footprint industrial e rota do milho

A entrada em funcionamento desta planta representa um avanço direto no plano de crescimento corporativo, ampliando a exposição do grupo ao mercado de biocombustíveis. Atualmente, a empresa já opera com três complexos voltados ao processamento de soja e à produção de biodiesel, distribuídos em Ijuí e Cruz Alta (RS), além de Vera (MT). A migração para a rota do milho aproveita a vocação agrícola de Mato Grosso, reduzindo a dependência exclusiva da cadeia da oleaginosa e otimizando a logística de suprimento em uma das regiões com maior produtividade do país. A estratégia permite diluir riscos sazonais e manter o ativo fabril com maior taxa de utilização ao longo do ano.

Arquitetura produtiva e capacidade nominal

A nova infraestrutura foi dimensionada para gerar um mix de produtos de alto valor agregado, garantindo eficiência econômica mesmo em cenários de volatilidade de preços. O layout industrial prevê a produção simultânea de etanol hidratado (combustível utilizado diretamente em motores flex e frotas leves) e etanol anidro (componente da mistura obrigatória com a gasolina), além de subprodutos essenciais para a pecuária. A tabela abaixo detalha a capacidade diária de saída da unidade:

Produto / CoprodutoCapacidade DiáriaAplicação Principal
Etanol Hidratado1.275 m³Combustível veicular direto
Etanol Anidro1.215 m³Mistura obrigatória na gasolina
DDGS (Grãos Secos de Destilaria)785 toneladasRação animal de alta proteína
Óleo de Milho50 toneladasIndústria alimentícia e química

A instalação conta ainda com flexibilidade operacional para processar sorgo em composição com o milho, permitindo ajustes ágeis conforme a disponibilidade de matéria-prima e a dinâmica de preços das commodities na região. Além disso, o resultado do primeiro trimestre, que registrou lucro líquido superior a R$ 231 milhões (mais que dobrado em relação ao período anterior), indica um momento de forte geração de caixa que tende a ser complementado pela nova linha de negócios.

O que isso significa para o investidor

Para o mercado acionário, a ativação da planta reforça a tese de verticalização e resiliência de margens da 3tentos. A transição para o etanol de milho oferece maior previsibilidade de custos, uma vez que o grão é colhido no período de entressafra da soja, equilibrando a ociosidade fabril e aproveitando a infraestrutura logística já existente. Em um cenário macroeconômico de transição para matriz limpa, a expansão em biocombustíveis posiciona a empresa como player relevante na agenda de descarbonização e pode beneficiar-se de mecanismos como o RenovaBio. A diversificação para DDGS e óleo de milho cria camadas adicionais de proteção, já que esses coprodutos possuem mercados independentes e ciclos de demanda distintos do energético.

Riscos e fatores de atenção

Apesar do avanço estrutural, a operação carrega exposições que exigem acompanhamento rigoroso por parte do acionista:

  • Volatilidade de commodities: A margem da unidade está diretamente atrelada ao crush do milho e à cotação do etanol no mercado atacadista. Discrepâncias entre o custo de aquisição do grão e o preço final do combustível podem pressionar o lucro operacional.
  • Ciclos agrícolas e condições climáticas: O calendário de colheita, com início previsto para junho, está sujeito a variações pluviométricas e fenômenos como El Niño/La Niña, que afetam a produtividade e o volume disponível para processamento.
  • Dependência regulatória: Alterações nos percentuais obrigatórios de mistura de etanol na gasolina, mudanças na taxação de combustíveis ou revisões nas normas da ANP podem impactar a demanda e a precificação dos derivados.

Perspectiva e Próximos Passos

Segundo informações da diretoria, os estoques iniciais de matéria-prima já estão depositados e a estrutura encontra-se completamente apta a receber a nova safra a partir de junho. O mercado acompanhará agora o ritmo de ramp-up (aumento gradual da produção até atingir a capacidade máxima instalada), a eficiência térmica e logística do processo, e a absorção comercial do DDGS e do óleo de milho, cujos preços atuarão como importantes variáveis de ajuste nos resultados trimestrais da companhia.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.