As ações do Banco do Brasil (BBAS3) têm sido alvo de intensas revisões por parte das principais casas de análise do mercado financeiro. O que antes eram recomendações de "compra" e projeções otimistas, transformaram-se em "alertas vermelhos", com rebaixamentos e cortes significativos nos preços-alvo. Essa mudança repentina levanta questionamentos sobre as perspectivas da estatal e se ainda vale a pena para investidores.

Revisões Drásticas de Preço-Alvo e Recomendações

A XP Investimentos, que em 11 de abril de 2024 havia elevado o preço-alvo de BBAS3 de R$37 para R$41, projetando uma valorização de quase 50%, reverteu sua posição. Em 1º de junho, a corretora rebaixou a recomendação para "neutra" e cortou o preço-alvo para R$32, citando aumento de riscos. A decisão veio acompanhada de uma revisão das projeções de lucro líquido do Banco do Brasil, com reduções de 29% para 2025 (de R$39 bilhões para R$28 bilhões) e 28% para 2026 (de R$41 bilhões para R$30 bilhões).

O Santander também adotou uma visão mais cautelosa, rebaixando a recomendação de "compra" para "neutra" e cortando o preço-alvo de R$45 para R$26. Similarmente, o BTG Pactual reduziu seu preço-alvo de R$34 para R$30, mudando a recomendação para "neutra". Essa convergência entre as grandes casas de análise sinaliza um novo cenário para os papéis do banco.

Os Motivos Por Trás da Cautela

Entre os principais fatores que levaram a essas revisões, destacam-se:

  • O desempenho considerado fraco do Banco do Brasil no primeiro trimestre de 2025, com ROAE de 16,7%, surpreendendo o mercado.
  • A deterioração na carteira de crédito do agronegócio, um setor crucial para o banco, que deve continuar impactando os resultados até o segundo semestre.
  • O impacto negativo da nova regra contábil (Resolução 4966), que afetou o Banco do Brasil de forma mais acentuada que seus concorrentes.
  • Contaminação de outros segmentos do banco pelos problemas do agronegócio.
  • Incerteza sobre o guidance de 2025, a margem financeira líquida em queda e o aumento dos custos de crédito.
  • O cenário macroeconômico e político desafiador no Brasil, com proximidade das eleições de 2026.

Visão de Longo Prazo e Preço Teto

Para investidores de longo prazo, compreender os fundamentos da empresa é crucial. Apesar da queda recente (BBAS3 recuou 6,12% nos últimos 12 meses, cotada a R$23,42 no fechamento de 26 de maio), indicadores como o PL (Preço/Lucro) de 6,17x e o PVP (Preço/Valor Patrimonial) que mostra o ativo 26% abaixo do seu valor patrimonial, sugerem um desconto. O Dividend Yield atual é de 11,11%.

Com base em uma projeção de lucro de R$23,97 bilhões e um payout conservador de 40%, o Dividendo Por Ação (DPA) seria de R$2,37. Para um dividend yield de 10%, o preço teto seria de R$23,71. Já para um dividend yield de 8%, o preço teto conservador se eleva para R$29,64, indicando uma margem de segurança de 26,57% em relação à cotação atual. O renomado investidor Luiz Barsi Filho reforça a visão de longo prazo, lembrando que o Banco do Brasil é um ativo exposto ao agro, e que flutuações são parte do negócio. Ele sugere que quem "já passou por crise de 2008, pandemia e Dilma Rousseff tem outra definição para despencando", mantendo o Banco do Brasil como um investimento recorrente.

Este panorama, baseado em uma análise de um canal especializado em finanças, sugere que o mercado já precificou boa parte dos riscos, e a avaliação de longo prazo pode ser diferente da volatilidade de curto prazo.