A Advent International, por meio do fundo Lotus FIP, confirmou na manhã desta quarta-feira, 2 de julho de 2026, a aquisição de 90,67 milhões de ações da Natura Cosméticos S.A. (B3: NTSA3), o que representa 6,6% do capital social da companhia. A operação, formalizada via Fato Relevante, materializa o compromisso vinculante assinado em março de 2026 e marca o início de uma nova fase de governança e estratégia para a empresa, com foco na aceleração do crescimento na América Latina.
Além da participação direta, o fundo informou manter exposição econômica equivalente a 19,28 milhões de ações (1,4% do capital) por meio de TRS (Total Return Swap), um tipo de derivativo que replica o retorno financeiro do ativo sem a transferência física dos papéis. Na prática, a soma da carteira direta e da exposição via derivativos atinge os 8% mínimos previstos no acordo original.
Detalhes da Operação e Contexto
O investimento é a execução direta do compromisso firmado em 30 de março de 2026 entre os blocos de acionistas da Natura e a Advent. O documento previa a compra, no mercado secundário, de uma fatia entre 8% e 10% do capital, com um preço-alvo médio de R$ 9,75 por ação. A aquisição deve ser concluída em até seis meses, desde que respeitado o teto de preço e outras condições de mercado pactuadas.
A entrada da gestora global de private equity segue um ciclo de simplificação corporativa e reorganização do capital. O objetivo declarado é fortalecer a base de acionistas, trazer expertise de mercado e capital para acelerar a expansão dos negócios, mantendo a liderança da empresa no setor de beleza e cuidados pessoais na região.
Mudanças na Governança e Conselho de Administração
Com a nova estrutura acionária, a Advent passa a ter direito de indicar dois membros para o Conselho de Administração, além de integrar comitês de assessoramento. O novo acordo de acionistas prevê um colegiado com 9 a 10 integrantes, sendo 4 necessariamente independentes e com processo de escolha final mantido pelos blocos controladores.
Paralelamente, os fundadores — Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos — deixam o Conselho de Administração para ocupar um recém-criado Conselho Consultivo. Trata-se de um órgão estatutário sem funções executivas, decisórias ou de representação legal, desenhado exclusivamente para zelar pela cultura, pelos valores e pelo legado da marca. Fábio Barbosa também migra para a instância consultiva após concluir a fase de reestruturação.
A nova chapa de gestão mantém João Paulo Ferreira (CEO), Duda Kertesz e Alessandro Carlucci (que assume a presidência do conselho), e incorpora nomes como Pedro Villares, Guilherme Passos, Luiz Guerra, Flávia Almeida e Gabriela Comazzetto. Bruno Rocha e Gilberto Mifano deixam o conselho, com Mifano permanecendo à frente do comitê de auditoria.
O que muda para investidores
- Influência estratégica no conselho: A Advent ganha assentos no colegiado e acesso a comitês, participando ativamente da definição de diretrizes de longo prazo da NTSA3. O acordo, contudo, não confere poder de veto ou controle acionário.
- Trava de liquidez de 12 meses: As ações adquiridas pela gestora ficarão bloqueadas para venda por um ano após a assinatura do novo acordo de acionistas, sinalizando compromisso com o longo prazo e reduzindo a pressão vendedora no mercado à vista.
- Direito a follow-on e liquidez futura: O investidor poderá solicitar uma oferta pública secundária no futuro, com prioridade de venda e alocação proporcional, criando um canal estruturado para captação ou desinvestimento controlado.
- Dispensa de OPA obrigatória: A operação está condicionada à aprovação em assembleia da dispensa de Oferta Pública de Aquisição, mecanismo regulatório que evita a obrigatoriedade de comprar 100% das ações ao cruzar marcas relevantes de capital.
- Parâmetro de preço (R$ 9,75): O valor-alvo serve como referência para as compras no mercado. O acordo prevê rescisão automática se a média das ações ultrapassar R$ 9,75 por três meses consecutivos, o que pode limitar o volume final da operação em cenários de forte valorização.
A movimentação consolida a estratégia da Natura de se reposicionar como uma empresa de capital aberto com governança modernizada e parcerias estratégicas de peso. O mercado acompanhará de perto os desdobramentos da Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária (AGOE) de 2026, onde a nova estrutura diretiva e o acordo com a Advent serão formalmente ratificados.
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