A ALLIANÇA SAÚDE E PARTICIPAÇÕES S.A. (B3: AALR3) protocolou, em 05 de agosto de 2026, o pedido de homologação de seu Plano de Recuperação Extrajudicial perante a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. O documento abrange uma dívida de aproximadamente R$ 1,1 bilhão e já conta com a adesão de mais de 83 credores, representando 54% do montante sujeito à reestruturação. O movimento marca uma etapa decisiva no saneamento financeiro da companhia, iniciado após a tomada de controle pelo fundo Tessai Investimentos, gerido pela Geribá Investimentos Ltda.
Estrutura do plano e opções de pagamento
O nível de apoio supera o quórum mínimo de dois terços exigido pela Lei de Recuperação Judicial e Falências (LFR) para validação judicial, refletindo meses de negociação intensa. Após a homologação, os credores terão 30 dias para escolher uma única modalidade de liquidação:
- Opção A (Conversão em equity): Troca integral dos créditos por ações da ALLIANÇA, mediante aumento de capital, extinguindo a dívida e realinhando interesses ao longo prazo.
- Opção B (Deságio e parcelamento): Pagamento de 30% do valor original em 11 parcelas anuais, após 12 meses de carência, corrigidos pela TR mais 2% ao ano. Os 70% remanescentes são automaticamente perdoados (remidos).
- Opção C (Quitação rápida): Pagamento único em até 180 dias, limitado a R$ 15 mil por credor, quitando integralmente o débito, mesmo que superior ao teto.
O plano também reserva condições diferenciadas para parceiros estratégicos (fornecedores de tecnologia e insumos), que receberão o montante em 60 parcelas mensais após 6 meses de carência, e para locadores de imóveis, com pagamento acelerado em 5 parcelas. A adesão de médicos fundadores, com destaque para a AFIP, e a escolha de mais de 92% do valor comprometido pela conversão em ações reforçam a confiança na retomada da empresa.
O que muda para investidores
A reestruturação visa reduzir expressivamente a alavancagem da ALLIANÇA SAÚDE E PARTICIPAÇÕES e recompor o fluxo de caixa operacional. A conversão de passivo em patrimônio (Opção A) e o perdão de 70% dos créditos da Opção B devem aliviar o balanço no curto prazo, embora gerem diluição proporcional para os acionistas atuais. A companhia também assegurou a possibilidade de captar novos recursos em condições de mercado para reforço de liquidez e otimização da estrutura de capital.
A administração reforça que o processo é estritamente financeiro. Não há impacto nas operações assistenciais: o atendimento a pacientes, contratos com operadoras de saúde, cooperativas médicas e a relação com colaboradores permanecem inalterados. O plano foi aprovado por unanimidade pelo Conselho de Administração e agora aguarda convocação de Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para ratificação formal, além da homologação final pelo Poder Judiciário.
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