Alliança Saúde garante linha emergencial de até R$ 76 milhões

O grupo Alliança Saúde e Participações S.A. (B3: AARL3) informou, em fato relevante à CVM nesta segunda-feira (18), a contratação de uma linha de crédito emergencial no valor de até R$ 76 milhões. A medida visa estancar o esvaziamento quase total do fluxo de caixa reportado em abril e garantir a continuidade imediata das operações hospitalares e de diagnóstico por imagem.

A operação foi viabilizada por meio da segunda emissão de debêntures (títulos de dívida corporativa) da Cura – Centro de Ultrassonografia e Radiologia S.A., subsidiária integral da companhia. A colocação será feita no mercado privado e conta com garantia real e fidejussória, estruturada em três tranches distintas:

  • Volume: R$ 76 milhões no total, divididos em até R$ 36 milhões na 1ª série e R$ 20 milhões em cada uma das séries 2 e 3.
  • Prazo: 18 meses a partir da emissão da 1ª série, com amortização do principal em pagamento único no vencimento.
  • Remuneração: Indexada a 100% do CDI mais spread de 12% ao ano, com seis meses de carência até o 1º dia útil de novembro de 2026.
  • Retorno Mínimo: Garantia de múltiplo de 1,45x sobre o valor nominal. Se o total pago aos investidores ficar abaixo desse patamar, a emissora complementará a diferença como prêmio de retorno.

Os fundos serão alocados estritamente para fortalecer o capital de giro e custear despesas operacionais críticas, blindando a prestação de serviços de saúde do grupo no curto prazo.

Convite para adesão de credores e acionistas

Buscando transparência e simetria informacional, a empresa protocolou pedido no processo de mediação judicial iniciado em março. A medida permite que outros credores ou acionistas ingressem na estrutura, desde que comprometam aportes superiores a R$ 1 milhão. As negociações serão feitas diretamente com o 287 Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia Responsabilidade Limitada, detentor original das debêntures. A alocação seguirá critério pro rata, mantendo paridade nas condições econômicas e nas garantias.

O que muda para investidores

A captação consolida uma etapa prática na reestruturação financeira da AARL3, afastando o risco imediato de paralisia operacional, mas impõe desafios de alavancagem que devem ser monitorados de perto:

  • Custo da dívida e geração de caixa: A taxa (CDI + 12% a.a.) e a cláusula de 1,45x no resgate elevam a cobrança sobre o EBITDA futuro. O grupo precisará normalizar o faturamento antes do fim da carência, em novembro.
  • Continuidade do negócio: A injeção de liquidez preserva a receita recorrente dos centros de imagem, evitando descontos de valor por descontinuidade ou judicialização de ativos.
  • Governança e mercado: A abertura de janela de participação demonstra tentativa de evitar disputas fragmentadas e manter um acordo coordenado, alinhado às diretrizes da CVM para companhias em recuperação.

A gestão da Alliança Saúde (AARL3) reforçou que seguirá divulgando os avanços da reestruturação e documentos complementares à medida que forem disponibilizados, mantendo os acionistas e o mercado em ciclo constante de atualização regulatória.

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