A Ambipar Participações e Empreendimentos S.A. (B3: AMBP3) e a Environmental ESG Participações S.A. informaram, na noite de 8 de julho de 2026, a assinatura de um Acordo de Apoio à Reestruturação com uma parcela majoritária dos credores de seus Green Notes, além da formalização de uma aditiva contratual com o Itaú BBA International PLC. O comunicado visa consolidar a proposta de recuperação judicial (RJ) ajuizada em outubro de 2025 e aliviar o caixa no curto prazo com a extensão de dívidas já vencidas, sinalizando um caminho mais previsível para a reestruturação do passivo e mantendo a atual gestão no comando das operações.
Detalhes dos acordos firmados
O Acordo de Apoio foi celebrado com investidores que detêm fatia majoritária dos títulos Green Notes (bônus verdes com vencimentos em 2031 e 2033). O documento reúne os principais termos da renegociação financeira que será implementada, prioritariamente, dentro do plano de recuperação judicial. A adesão formal desses credores fortalece a tese de uma solução consensual, reduzindo o risco de litígios prolongados que poderiam comprometer a saúde financeira do chamado Grupo Ambipar.
Em paralelo, as companhias fecharam termos com o Itaú BBA International PLC para assinar um Contrato de Financiamento Aditado e Consolidado (Amended and Restated Loan Agreement). O objetivo central é promover o alongamento de empréstimos bancários que já atingiram o vencimento, uma medida essencial para restaurar a liquidez imediata e garantir o cumprimento de obrigações durante o processo de reestruturação.
Contexto jurídico e continuidade da gestão
Os novos acordos se inserem no pedido de RJ protocolado em 20 de outubro de 2025 e deferido pela 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro em 30 de outubro do mesmo ano. Paralelamente, a subsidiária indireta Ambipar Emergency Response ajuizou um processo concorrente sob o Chapter 11 (mecanismo legal norte-americano que protege empresas em crise para permitir a renegociação de dívidas) na Corte de Falências de Houston, no Texas.
A administração reforçou que o time atual, incluindo os executivos Tércio Borlenghi Jr. (CEO) e Thiago da Costa Silva (CFO), seguirá no controle das operações, respeitando as estruturas de governança e controles definidos no Acordo de Apoio. A companhia mantém esforços ativos para captar a adesão de credores minoritários restantes.
Condições para validade dos acordos
A implementação integral das renegociações depende do cumprimento de condições precedentes, ou seja, requisitos obrigatórios para que os contratos se tornem efetivos. Entre eles estão:
- Negociação e formalização dos documentos definitivos;
- Obtenção de aprovações societárias internas;
- Aprovação do plano em assembleia geral de credores;
- Homologação judicial do plano pela justiça competente;
- Aprovações regulatórias aplicáveis;
- Estabilidade de fatores macroeconômicos e operacionais que não impeçam a execução.
O que muda para investidores
Para o mercado, o consenso com os detentores majoritários dos Green Notes e o alongamento bancário com o Itaú BBA representam uma redução tangível no risco de crédito e no prêmio de incerteza que pesava sobre o papel AMBP3. O alívio de caixa e a manutenção da equipe atual trazem visibilidade para a continuidade do negócio. No entanto, o ativo continuará sensível ao calendário do processo de RJ. Investidores devem acompanhar de perto a convocação da assembleia de credores, a homologação judicial e a possível diluição ou alteração na estrutura societária, que são comuns em processos de reestruturação desta natureza.
Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.
