As ações da Auren Energia (AURE3) registravam alta de 3,37% às 12h desta quarta-feira (4), cotadas a R$ 11,95, impulsionadas pelo lucro líquido de R$ 355 milhões no quarto trimestre de 2025 (4T25), que reverteu o resultado negativo do período anterior e superou amplamente as expectativas negativas do mercado.
Lucro Líquido Supera Projeções Negativas
O resultado positivo do lucro líquido surpreendeu analistas do Goldman Sachs, que projetavam prejuízo de R$ 214 milhões, e o consenso da Bloomberg, com estimativa de R$ 320 milhões em vermelho. Esse desempenho deveu-se principalmente a efeitos não recorrentes, conforme destacado pelo banco. A subsidiária Auren Operações, vinculada indiretamente à Auren Energia desde outubro de 2024 por meio da Auren Participações, triplicou seu lucro líquido ao longo de 2025.
EBITDA Ajustado em Destaque
A companhia divulgou EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 736 milhões, excluindo dividendos de joint ventures (JVs, parcerias entre empresas), valor 6% superior à previsão da XP e alinhado às estimativas gerais do mercado. O BTG Pactual classificou o indicador como sólido, 9% acima de suas contas, graças a ganhos de R$ 70 milhões com modulação (ajustes contratuais de energia) que compensaram restrições de rede, conhecidas como curtailment (cortes obrigatórios de geração), e redução no GSF (Garantia Física de Escoamento, mecanismo regulatório para geração hidrelétrica).
Visões dos Analistas sobre Operações
O Itaú BBA apontou impactos negativos persistentes da queda na produção e do GSF, mitigados por cortes de custos e benefícios da modulação. O UBS BB enfatizou melhorias operacionais nos ativos comprados da AES Brasil, mas alertou para ventos contrários como altos níveis de curtailment, alavancagem (razão dívida/EBITDA) elevada e custos com juros. O JPMorgan notou EBITDA 15% abaixo de suas projeções, embora em linha com o consenso, atribuindo o desvio a alocações menores de contratos de energia do que o previsto. A alavancagem da Auren caiu para 4,8 vezes, sinalizando avanço na gestão financeira.
Recomendações e Preços-Alvo dos Bancos
Analistas mantiveram posições cautelosas na maioria dos casos. A XP preserva recomendação neutra com preço-alvo de R$ 12, ancorada em soluções para curtailment, integração da AES Brasil e geração de caixa para desalavancagem, mas vê riscos na timing da aquisição em cenário adverso. UBS BB e JPMorgan também são neutros, com alvos de R$ 12 (baseado em múltiplo EV/EBITDA (valor da empresa sobre EBITDA) projetado para 2026 de 8,2 vezes) e R$ 12,40, respectivamente. Morgan Stanley e Itaú BBA repetem neutra com R$ 14 e R$ 11,37.
| Instituição | Recomendação | Preço-Alvo (R$) |
|---|---|---|
| XP | Neutra | 12,00 |
| UBS BB | Neutra | 12,00 |
| JPMorgan | Neutra | 12,40 |
| Morgan Stanley | Neutra | 14,00 |
| Itaú BBA | Neutra | 11,37 |
| BTG Pactual | Compra | 16,30 |
O Goldman Sachs sustenta compra, com taxa interna de retorno (TIR, métrica de rentabilidade ajustada ao risco) real em torno de 14%, enquanto o BTG reforça compra no R$ 16,30.
O que isso significa para o investidor
Para o investidor pessoa física brasileiro, os números indicam resiliência operacional da Auren em meio a restrições regulatórias do setor elétrico, com potencial de desalavancagem beneficiando-se de fluxos de caixa mais robustos. Em um cenário macro com Selic em patamares elevados (taxa básica de juros) e IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) pressionado, a dívida atrelada em apenas 20% ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário) limita ganhos com eventuais cortes de juros. Otimista: integração bem-sucedida da AES acelera turnaround; pessimista: curtailment prolongado e GSF fraco corroem margens.
Riscos a Monitorar
- Curtailment elevado: Cortes obrigatórios de geração renovável impactaram R$ 137 milhões no período, conforme JPMorgan.
- GSF hidrelétrico reduzido: Afeta produção e receitas.
- Alavancagem alta: Apesar da queda para 4,8x, expõe a variações de juros e portfólio contratado elevado sem catalisadores imediatos.
- Integração AES Brasil: Turnaround em momento desafiador pode frustrar expectativas de curto prazo.
Adiante, acompanhe avanços na resolução de curtailment, evolução da desalavancagem e integração dos ativos da AES Brasil, além do calendário de resultados do 4T25 na B3 (Bolsa de Valores brasileira) e indicadores operacionais como contratação de portfólio de geração.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
