No mesmo trimestre em que divulgou um lucro líquido de R$13,7 bilhões—12,45 vezes superior ao valor registrado em 4T24—os papéis da Axia (AXIA3) fecharam a sexta-feira (27) com queda de 2,61%, cotados a R$61,28. O contraste entre a solidez dos números e a reação negativa do mercado revela complexidades na composição dos resultados e incertezas sobre a sustentabilidade da geração de caixa recorrente.
Resultados e componentes-chave
A performance financeira da elétrica foi impulsionada pelo reconhecimento de R$12,36 bilhões em ativo fiscal diferido, responsável por 89% do lucro total do período. Esse tipo de crédito tributário é contabilizado como ativo, porém sua conversão em caixa ocorre apenas com o pagamento futuro de impostos, limitando a liquidez imediata. Quando ajustado por itens não recorrentes como reembolsos eólicos, despesas de rebranding e mudanças no programa de remuneração, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) alcançou R$5,9 bilhões, 3% acima da média das estimativas.
| Banco | Ebitda ajustado (R$ bi) | Lucro líquido ajustado (R$ bi) | Preço-alvo (R$) |
|---|---|---|---|
| Goldman Sachs | 5,9 | - | 56 |
| UBS BB | 5,274 | 2,599 | 80 |
| XP Investimentos | - | - | AXIA3: 48,8 / AXIA6:53,7 |
| BTG Pactual | - | - | 61 |
Projeções e divergências analíticas
A análise técnica dos resultados revela divergências entre os modelos usados por diferentes casas. O UBS BB destacou que o Ebitda ajustado registrado (R$5,274 bilhões) ficou 19% abaixo da projeção da instituição (R$6,529 bilhões), mas o lucro líquido ajustado superou as expectativas em 25%. As despesas de investimento (capex) também subiram no trimestre, atingindo R$3,869 bilhões contra R$2,701 bilhões em 3T25. A XP Investimentos, embora considerando os números abaixo do esperado, descartou ajustes dramáticos nas estimativas, enfatizando a TIR (Taxa Interna de Retorno) histórica de 6,4% para AXIA3.
O que isso significa para o investidor
Para o investidor pessoa física, dois fatores são críticos: a trajetória real dos preços de energia e a disciplina na alocação de capital. O aumento de dividend yield projetado—de 8% em 2026 para 13% em 2027—fortalece a atratividade para perfis de renda passiva, mas a dependência de créditos tributários e a volatilidade nos custos de investimento exigem análise de curto prazo. O avanço do capex pode comprometer a capacidade de geração de caixa se os preços do setor elétrico não acompanharem as projeções.
Principais riscos
- Prolongamento do reconhecimento de créditos tributários além do ciclo financeiro atual
- Volatilidade nos preços de energia no mercado livre em cenário de Selic estável
- Desvios no cronograma de investimentos e custos de projeto em novos parques eólicos
- Regulatória: mudanças na legislação de preços de transmissão ou reembolsos fiscais
Perspectiva e próximos passos
A agenda de desinvestimentos, as negociações sobre governança corporativa e a previsibilidade do mercado de energia serão catalisadores nos próximos trimestres. O ajuste no preço-alvo pelo BTG Pactual (mantido em R$61 apesar do rali de 2025) indica que a recompomendação de compra depende da percepção de longo prazo sobre preços da energia. Os investidores devem monitorar a data de conversão dos créditos fiscais em caixa e os desempenhos operacionais nos próximos relatórios trimestrais.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
