A concessão estadual da Rota Mogiana, que abrange 520 km de rodovias no interior de São Paulo, foi arrematada por um grupo liderado pela Azevedo & Travassos (AZEV3; AZEV4) que apresentou uma oferta de R$1,08 bilhão em outorga. O valor superou em 598% o segundo melhor lance, da MC Brazil Concessões, em um leilão que manteve fora da disputa a atual operadora Motiva (MOTV3), que ofertou R$180,28 milhões.
Participantes e lances do leilão
| Consortium | Outorga oferecida (R$ milhões) |
|---|---|
| Azevedo & Travassos + Quimassa Infraestrutura | 1.080 |
| MC Brazil Concessões | 1.019 | EPR | 560 |
| Motiva (MOTV3) | 180,28 |
A oferta vencedora envolveu 217 km de duplicação e 138 km de terceiras faixas, além de obras de mobilidade urbana, em uma concessão que exigirá R$9,4 bilhões em investimentos totais ao longo de 30 anos. Dos 520 km concedidos, 350 km já eram explorados por um consórcio composto por Motiva (40%) e Grupo Encalso (60%) até abril de 2024, quando o contrato em vigor venceu.
O que isso significa para o investidor
O resultado reforça a presença de grupos brasileiros em concessões de infraestrutura, com a Azevedo & Travassos ampliando sua carteira em um setor estratégico para a economia. Para os ações das empresas envolvidas, o impacto depende da capacidade de gestão dos grandes investimentos exigidos: R$9,4 bilhões em três décadas sob regime de concessão que vincula receitas a metas de manutenção e expansão da malha.
A decisão do governo estadual de estender a concessão para áreas adicionais sinaliza uma estratégia de atualizar a infraestrutura rodoviária paulista, o que pode impactar a eficiência logística e, por extensão, setores industriais dependentes de transporte. A operação da Rota Mogiana ocorre em um cenário macro de alta da Selic e pressão inflacionária sobre custos de construção, fatores que elevam o risco de atrasos e impacto financeiro nos projetos previstos.
Riscos envolvidos
- Demanda de capital pesada: os R$9,4 bilhões representam mais de 8x o valor ofertado em outorga
- Execução técnica: obras em áreas urbanas e rurais com diferentes complexidades ambientais e sociais
- Regulação estadual: mudanças na legislação de concessões podem alterar cenários de retorno a longo prazo
A próxima etapa envolve a assinatura do contrato e início dos estudos detalhados para obras de duplicação. Em abril, quando termina a gestão atual da Motiva/Encalso, o novo consórcio terá que equilibrar os investimentos imediatos com o fluxo de caixa gerado pelas tarifas, sujeitas a reajustes anuais vinculados ao IPCA.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
