A Azul S.A. (B3: AZUL53, OTC: AZULQ) anunciou, em 18 de fevereiro de 2026, a conclusão do procedimento de alocação de sua oferta pública de distribuição primária de ações. A operação, que captou aproximadamente R$ 4,98 bilhões, é um passo decisivo para a implementação do plano de reestruturação da companhia nos Estados Unidos sob o Chapter 11.

O Conselho de Administração da empresa homologou a emissão de mais de 45,4 trilhões de novas ações ordinárias (antes do grupamento), com um preço por ação fixado em R$ 0,000109656646388772000. O montante total arrecadado visa capitalizar créditos e injetar novos recursos para suportar a saída do processo de falência.

Estrutura da Captação e Principais Investidores

A oferta foi estruturada para atender tanto acionistas atuais, na Oferta Prioritária, quanto investidores profissionais, na Oferta Institucional. A concretização dos recursos foi assegurada por compromissos de investimento prévios, destacando-se a participação estratégica de grandes players do setor:

  • United Airlines: Assumiu o compromisso de subscrever ações no valor de US$ 100 milhões, após obter aprovação doCADE em 11 de fevereiro de 2026.
  • Investidores Compromitentes: Grupo de investidores que se comprometeu a aportar até US$ 750,75 milhões, com possibilidade de incremento adicional.
  • Credores (Titulares de Notas): Detentores de dívidas da companhia (Notas 1L, 2L e Notas DIP) participaram da oferta convertendo seus créditos em ações, num movimento conhecido como debt-for-equity.

Detalhes Operacionais e Grupamento de Ações

Para adequar a estrutura de capital, foi realizado um grupamento de ações na proporção de 75 para 1, aprovado em assembleia em 12 de fevereiro. Após esse ajuste, o novo capital social da Azul passa a ser de R$ 21,75 bilhões, dividido em aproximadamente 54,7 trilhões de ações.

O preço final para o investidor, já considerando o grupamento, foi definido em R$ 189,48 por cesta ou lote de ações. Esse valor reflete um desconto de 30% sobre a avaliação econômica pós-dinheiro (post-money) da empresa, estabelecida em US$ 1,78 bilhão no plano de reestruturação.

O que muda para investidores

Com a homologação pela CVM sob o registro automático nº CVM/SRE/AUT/ACO/PRI/2026/004, a expectativa é que as novas ações comecem a ser negociadas na B3 em 23 de fevereiro de 2026. A liquidação financeira da oferta está prevista para 20 de fevereiro.

A operação marca o fim da incerteza quanto à capitalização necessária para a emergência do Chapter 11. Para o acionista minoritário, a entrada de sócios robustos como a United Airlines e a redução do endividamento via conversão de dívida podem sinalizar um novo ciclo de estabilidade, embora o investimento em renda variável permaneça sujeito aos riscos macroeconômicos e à volatilidade do setor aéreo.

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