As elétricas Eneva (ENEV3), CPFL (CPFE3) e Alupar (ALUP11) reportaram os números do quarto trimestre de 2025 (4T25) na noite de quinta-feira, 5. Às 12h45, ENEV3 recuava 1,43%, a R$ 20,02; CPFE3 avançava 0,94%, a R$ 47,39; e ALUP11 subia 0,09%, a R$ 33,65. O destaque inicial fica para o lucro líquido ajustado de R$ 1,6 bilhão da CPFL, superando projeções de mercado.
Eneva (ENEV3)
A Eneva entregou indicadores abaixo das projeções para o 4T25, conforme XP Investimentos, embora o viés não exija ajustes materiais nas previsões de lucro futuro. Custos fixos se mantiveram controlados, com receitas fixas – aquelas mais recorrentes e estáveis – superando ligeiramente as expectativas, enquanto margens variáveis sofreram com múltiplos impactos operacionais.
O UBS BB aponta EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) inferior por desempenho mais fraco no complexo de Parnaíbas, devido a custos variáveis elevados, parcialmente explicados pelo maior despacho das usinas. No front de investimentos, o capex (desembolso em bens de capital) atingiu R$ 2 bilhões, contra R$ 1,6 bilhão no trimestre anterior, direcionado majoritariamente ao projeto Azulão 950, plantas de liquefação de gás e atividades de upstream (exploração de recursos). Isso elevou a dívida líquida para R$ 17 bilhões, acréscimo de R$ 1,5 bilhão em relação ao 3T25, mas a alavancagem – medida pela relação dívida líquida sobre EBITDA – melhorou para 2,61 vezes, ante 2,68 vezes.
O JPMorgan registra EBITDA 5% abaixo da casa por despesas de E&P (exploração e produção) acima do previsto em cerca de R$ 200 milhões; sem esse efeito, os números alinhariam ao consenso e superariam a própria estimativa do banco, configurando trimestre neutro. As casas mantêm otimismo na alocação de recursos, com o leilão de reserva de capacidade (LRCAP), marcado para 18 de março, como gatilho chave.
| Corretora | Recomendação | Preço-alvo (R$) |
|---|---|---|
| JPMorgan | Overweight (acima da média de mercado) | 21 |
| UBS BB | Compra | 27 |
| XP | Compra | 27,10 |
CPFL (CPFE3)
A CPFL registrou EBITDA ajustado 3% superior às expectativas da XP, impulsionado por portfólio de alta qualidade: distribuidora avançou 7% acima das projeções, enquanto geração e transmissão (G&T) ficou ligeiramente aquém. No agregado, superou o consenso Bloomberg de R$ 3,1 bilhões e a visão do Goldman Sachs de R$ 2,9 bilhões, graças a força em distribuição e geração.
O lucro líquido ajustado alcançou R$ 1,6 bilhão, batendo o mercado (R$ 1,1 bilhão) e Goldman (R$ 863 milhões), favorecido por despesas financeiras menores. A companhia propôs distribuição de R$ 4,3 bilhões em dividendos, ou R$ 3,73 por ação, equivalente a payout (porcentagem do lucro repassada aos acionistas) de 90% sobre o lucro em caixa – patamar superior aos cerca de 70% recentes.
UBS BB vê alinhamento às contas, com distribuição em evidência; sem avanços no tema self-dealing (operações internas entre empresas do grupo), as revisões tarifárias das distribuidoras emergem como catalisadores. Morgan Stanley credita o êxito na distribuição a cortes em PMSO (despesas administrativas e comerciais) e provisões para devedores duvidosos, apesar de volumes menores; lucro de R$ 1,5 bilhão também acima.
| Corretora | Recomendação | Preço-alvo (R$) | TIR real estimada (%) |
|---|---|---|---|
| Morgan Stanley | Venda | 48 | - |
| Goldman Sachs | Neutra | - | 8,5 |
| UBS BB | Neutra | 58 | - |
| XP | Compra | 45,4 | 8,8 |
| JPMorgan | Compra | 49 | - |
Alupar (ALUP11)
Os números da Alupar no 4T25 alinharam às expectativas da XP: lucro bruto de geração em linha, transmissão com receita líquida e custos caixa conforme previsto, rendendo EBITDA de R$ 717 milhões. A empresa comunicou R$ 9,9 milhões adicionais em dividendos, totalizando R$ 356 milhões no ano e payout de 50,8%.
JPMorgan classifica como fracos, com EBITDA ajustado de R$ 709 milhões – alta de 8% ante ano anterior, mas 9% abaixo da casa e 7% do consenso, pressionado por margens de geração devido a curtailment (restrições na geração renovável). UBS BB atesta solidez, com conclusão de três projetos de transmissão (TNE, TCE e TECP) desde setembro e R$ 8 bilhões em pipeline no segmento. Morgan Stanley reforça impacto na geração por volumes reduzidos e restrições persistentes.
| Corretora | Recomendação | Preço-alvo (R$) | TIR real estimada (%) |
|---|---|---|---|
| Morgan Stanley | Neutra | 34 | - |
| XP | Compra | 53,6 | 7,8 |
| JPMorgan | Compra | 41 | - |
O que isso significa para o investidor
Para o investidor pessoa física na B3, esses balanços reforçam o caráter defensivo do setor elétrico em meio a Selic elevada e inflação (IPCA) pressionada, com CPFL oferecendo yield atrativo via dividendos elevados. Eneva expõe vulnerabilidades operacionais em margens variáveis, mas investimentos em upstream podem render no longo prazo se leilões como LRCAP entregarem contratos estáveis. Alupar mantém visibilidade via transmissão, embora renováveis dependam de resolução de curtailments. Cenário otimista depende de queda de juros e regulação favorável; pessimista agravado por custos energéticos altos e atrasos em projetos, impactando TIRs reais entre 7,8% e 9,2%.
Riscos
- Margens variáveis da Eneva pressionadas por despacho e custos de E&P.
- Na CPFL, ausência de resoluções em self-dealing e dependência de revisões tarifárias.
- Alupar enfrenta curtailment em renováveis e volumes de geração menores.
- Alavancagem crescente na Eneva, apesar de leve recuo no múltiplo dívida/EBITDA.
O foco segue no leilão LRCAP de 18 de março para Eneva, revisões tarifárias da CPFL e evolução dos R$ 8 bilhões em projetos de transmissão da Alupar. Para Eneva, alocação de capital permanece pivotal; na bolsa, monitorar consensos atualizados pós-balanços.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
