A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 deve trazer crescimento, mas em ritmo bem menor do que o observado entre abril e junho. Segundo a XP Investimentos, as cerca de 140 companhias listadas que a corretora acompanha devem registrar alta de 7,2% na receita e de 12% no EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) na comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto o lucro líquido agregado fica praticamente estável, com avanço de 0,5%.
A média agregada esconde o movimento mais relevante da temporada: o EBITDA projetado para óleo, gás e petroquímicos avança 46,6%, enquanto o de mineração e siderurgia recua 20,9%. As duas pontas não se anulam, mas ajudam a explicar por que o lucro consolidado praticamente não sai do lugar.
Do lucro de 22,2% no 2T26 para 0,5% no 3T26
| Indicador (variação anual) | 2T26 | Projeção 3T26 |
|---|---|---|
| Receita | +11,7% | +7,2% |
| EBITDA | +22,5% | +12,0% |
| Lucro líquido | +22,2% | +0,5% |
O contraste é entre as taxas de dois trimestres consecutivos: entre abril e junho, as companhias cobertas cresceram 22,2% no lucro; agora, a projeção é de 0,5%. A receita desacelera de 11,7% para 7,2%, e o EBITDA, de 22,5% para 12%. Um avanço de dois dígitos no resultado operacional que não chega à última linha do balanço sugere que parte do ganho se perde abaixo da linha do EBITDA.
Óleo e gás: 46,6% de alta no EBITDA e duas histórias distintas
Óleo, gás e petroquímicos é o principal destaque positivo da temporada na leitura da XP, com avanço projetado de 46,6% no EBITDA, sustentado pela alta do preço do petróleo. A Prio (PRIO3) é apontada pela casa como bem posicionada para capturar o preço elevado da commodity no curto prazo. Na Petrobras (PETR4), a expectativa é de um resultado sólido, ainda que com EBITDA em queda.
Saúde: 8,5% de expansão no EBITDA com sinistralidade em melhora
O setor de saúde deve manter desempenho positivo, com EBITDA projetado em alta de 8,5%. Três frentes sustentam o número, de acordo com a corretora: a melhora operacional das operadoras de planos, o crescimento dos serviços de diagnóstico e os tíquetes médios mais altos nos hospitais.
A sinistralidade — fatia dos prêmios consumida por indenizações — da SulAmérica em trajetória de melhora deve continuar sustentando os resultados da Rede D'Or (RDOR3), enquanto a Bradesco Saúde (SAUD3) aparece com evolução operacional. Em diagnóstico, Fleury (FLRY3) e Dasa (DDASA3) devem combinar avanço de receita e de rentabilidade.
Mineração perde 20,9% no EBITDA e Gerdau destoa do setor
Na ponta oposta, mineração e siderurgia concentram a maior pressão negativa, com retração projetada de 20,9% no EBITDA, efeito de custos elevados e de preços mais fracos do minério de ferro. Vale (VALE3) e CSN Mineração (CMIN3) sentem o impacto de fretes altos e de preços realizados menores, com efeito mais intenso na CSN. Já a Usiminas (USIM3) deve vender mais aço, mas a rentabilidade tende a ficar limitada por custos maiores e pelo desempenho mais fraco da divisão de mineração.
A Gerdau (GGB3) é a exceção apontada pela XP no bloco: a companhia deve contrariar a tendência do segmento e figurar como o principal destaque positivo dele no trimestre.
Varejo: consumo enfraquecido e margens sob pressão
O varejo deve emendar mais um trimestre difícil, com consumo enfraquecido e margens pressionadas. A Smart Fit (SMFT3) é citada como destaque positivo, com expectativa de forte crescimento do lucro. Do outro lado, a XP vê desaceleração mais acentuada no varejo discricionário e coloca Azzas 2154 (AZZA3), Natura (NATU3) e Vivara (VIVA3) entre os principais destaques negativos da temporada.
A temporada ganha volume a partir da próxima semana
A projeção foi divulgada em 21 de outubro de 2026, quando parte das companhias já havia reportado o período e o fluxo maior de divulgações ainda estava por vir. Para quem acompanha setores específicos, a dispersão tende a ser mais informativa que o agregado. Em óleo e gás, o preço do petróleo é a variável que explica a alta projetada de 46,6%; em saúde, sinistralidade e tíquete médio definem se os 8,5% se confirmam; em mineração, frete e preço realizado do minério explicam o sinal negativo; no varejo, consumo e margem seguem como termômetros.
Um trimestre com lucro agregado praticamente estável, portanto, pode conviver com balanços bastante distintos entre setores — e é nessa comparação que a temporada tende a ser mais reveladora do que no número consolidado.
