Queda Drástica no Lucro e o Peso do Agronegócio
O Banco do Brasil (BBAS3) reportou um resultado alarmante no terceiro trimestre de 2025, com o lucro líquido despencando 60% em comparação com o mesmo período do ano anterior, fechando em R$ 3,7 bilhões. Segundo a análise do Ativo Virtual, o principal vilão foi o expressivo aumento da inadimplência no setor do agronegócio, que saltou de menos de 2% para 5,34% em atrasos superiores a 90 dias. O cenário adverso também contaminou o crédito para pessoa física, cuja inadimplência subiu de 5,03% para 6,01%. Como consequência, o banco elevou em 77% suas provisões para devedores duvidosos (PDD), criando um "colchão" de mais de R$ 100 bilhões e se tornando o único entre os grandes bancos, como Itaú, Bradesco e Santander, a apresentar redução no lucro no período.
A Estratégia de Recuperação para 2026
Apesar dos números negativos, a alta gestão do banco, liderada pela CEO Tarciana Medeiros, apresentou um plano para "virar o jogo". A estratégia se baseia em dois pilares: a renegociação de dívidas rurais, amparada pela Medida Provisória 1314 que utiliza garantias do Tesouro Nacional para limpar o balanço; e uma mudança de foco para o crédito consignado. O banco traçou uma meta agressiva de conquistar 20% deste mercado, considerado mais seguro. A diretoria projeta que o pico da inadimplência ocorrerá no quarto trimestre de 2025, com uma estabilização e melhora real dos resultados sendo percebida apenas a partir de 2026.
Visão dos Analistas: Cautela é a Palavra de Ordem
O mercado financeiro reagiu com cautela ao plano. O Citigroup (City) rebaixou a recomendação de BBAS3 de "compra" para "neutro" e cortou o preço-alvo de R$ 29 para R$ 23, destacando que a deterioração do agro já afeta o crédito pessoal dos produtores. O JPMorgan seguiu a mesma linha, mantendo a recomendação "neutra". A visão predominante, conforme aponta o Ativo Virtual, é que as promessas, embora positivas, ainda não se converteram em resultados concretos, sugerindo um período de espera para investidores que buscam valorização imediata.
Múltiplos, Projeções e Preço Teto
A análise de indicadores do Ativo Virtual mostra que, aos R$ 22,47, as ações apresentam um P/L (Preço/Lucro) de 10x, considerado caro para uma estatal que historicamente opera com múltiplos mais baixos. Com base na projeção de lucro de R$ 19,2 bilhões para 2025 e um payout de 30%, o preço teto para se obter um dividend yield de 6% seria de R$ 16,75, e para 8%, o valor cairia para R$ 12,56. Esses números indicam que, com a lucratividade atual, o papel está caro para o investidor focado em dividendos, exigindo paciência e confiança na recuperação prometida para 2026.
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