Para outubro, a Terra Investimentos trocou três dos dez papéis de sua seleção de ações recomendada. A corretora retirou Cyrela (CYRE3), Klabin (KLBN11) e Bradesco (BBDC4), e abriu espaço para Sabesp (SBSP3), Banco do Brasil (BBAS3) e Prio (PRIO3). A lista foi divulgada em 6 de outubro, e as justificativas de cada troca são da própria casa, responsável pela carteira.

A composição final mantém dez nomes e revela uma rotação de duas naturezas. A primeira é a troca de uma instituição financeira privada por um banco que, segundo a corretora, negocia com desconto frente aos concorrentes. A segunda é a entrada de duas empresas cujas teses dependem de eventos concretos: o avanço da produção de petróleo e a revisão tarifária do saneamento. Frente à formação anterior, construção civil e papel e celulose deixam de ter representantes na lista.

As três trocas que redesenharam a seleção de outubro

MovimentoPapéis
Deixaram a seleçãoCyrela (CYRE3), Klabin (KLBN11), Bradesco (BBDC4)
Passaram a integrarSabesp (SBSP3), Banco do Brasil (BBAS3), Prio (PRIO3)

Banco do Brasil herda a vaga aberta pelo Bradesco

Dois argumentos sustentam a inclusão do Banco do Brasil na avaliação da Terra Investimentos: o desempenho da companhia no segundo trimestre ficou acima do que a casa projetava, e o papel continua sendo negociado com desconto diante de rivais do setor. A vaga deixada pelo Bradesco não diminui a fatia de bancos no portfólio — Itaú Unibanco (ITUB4) segue entre os dez nomes —, mas muda quem ocupa uma das duas posições financeiras. O ponto a acompanhar é se a diferença de avaliação entre os dois bancos se confirma nos próximos balanços.

Prio aposta na produção; Sabesp, na revisão tarifária

Na Prio, a expectativa da corretora é de produção maior ao longo dos próximos trimestres, com os projetos de Wahoo e Peregrino entre os principais responsáveis por esse avanço. A Sabesp foi incluída em razão da perspectiva de ampliação dos investimentos e da leitura de que a revisão tarifária marcada para o fim de 2026 pode ter efeito positivo sobre a companhia. Nos dois casos, a tese depende de entregas verificáveis — volumes extraídos e definição regulatória —, e não de um movimento isolado de mercado.

As sete posições que a Terra repetiu

A base da seleção foi preservada. Continuam na lista Vale (VALE3), Itaú Unibanco (ITUB4), Gerdau (GGBR4), Lojas Renner (LREN3), Copel (CPLE3), WEG (WEGE3) e Rede D'Or (RDOR3). É esse bloco que garante à carteira exposição a mineração, serviços financeiros, siderurgia, varejo, energia elétrica, bens de capital e saúde, enquanto as três trocas concentram a novidade do mês.

O que observar depois da rotação

Três frentes passam a concentrar a atenção de quem acompanha a seleção: os próximos balanços do Banco do Brasil, os números de produção da Prio e o desfecho da revisão tarifária da Sabesp. São esses eventos que podem confirmar ou contrariar os motivos apresentados pela corretora para montar a lista de outubro — e é aí que a troca de três papéis ganha relevância além da simples mudança de nomes.

Uma carteira recomendada é uma aposta de médio prazo, que depende do acerto das teses ao longo do tempo e não do comportamento de um único mês. Uma rotação como a de outubro tende a indicar que a casa preferiu concentrar parte da aposta em empresas com gatilhos identificáveis para os próximos meses.