Manter posições em opções de Banco do Brasil abertas durante o segundo turno custa, nesta reta final, mais caro do que carregar Petrobras ou o ETF que replica o Ibovespa. Nas séries mensais que vencem depois da votação, a volatilidade implícita de BBAS3 — grandeza extraída dos preços dos próprios contratos, que sinaliza a oscilação esperada para o ativo — estava em 67% a 69% na quarta-feira (21). Para PETR4, a faixa era de 46% a 48%; para BOVA11, de 44% a 46%.

O que muda para quem investe: essa distância aparece direto no prêmio cobrado de quem quer proteger a carteira ou buscar ganho com o movimento até a apuração. Volatilidade implícita (IV, na sigla em inglês) mais alta encarece o contrato, mantidos os demais fatores constantes. É o preço da dúvida, não um palpite sobre o sentido do movimento.

Três ativos, três patamares de prêmio

A comparação foi feita com opções at the money, aquelas cujo preço de exercício — o strike, valor pelo qual o papel pode ser comprado ou vendido conforme as condições do contrato — está próximo da cotação atual do ativo. O recorte reduz distorções entre séries com vencimentos e níveis de preço diferentes.

AtivoIV antes do 1º turnoIV no 1º pregão após a votaçãoIV em 21/10
BOVA11~39%25% a 26%44% a 46%
PETR4~47%34% a 36%46% a 48%
BBAS3~66%40% a 42%67% a 69%

Nos três casos, as puts — opções de venda, que dão o direito de vender o ativo pelo preço combinado — aparecem com IV um pouco acima da das calls, as opções de compra. A assimetria existe, mas é pequena diante do tamanho do prêmio total, o que sugere preocupação com a intensidade da oscilação, não com um lado específico dela.

O vaivém da volatilidade desde o primeiro turno

O desenho atual repete, com números maiores, o que o mercado já havia feito antes da primeira votação. Na véspera daquele pleito, as opções embutiam cerca de 39% no BOVA11, 47% em PETR4 e 66% em BBAS3.

Passada a apuração, o prêmio esvaziou rápido: no primeiro pregão seguinte, a IV recuou para 25% a 26% no ETF, 34% a 36% em Petrobras e 40% a 42% no banco. É o fenômeno conhecido como vol crush — a queda acelerada da volatilidade implícita assim que o evento que concentrava a dúvida fica para trás.

O ciclo, agora, se repete na direção oposta. Com o segundo turno se aproximando, o mesmo prêmio volta a ser embutido nos contratos, e o banco estatal lidera a reprecificação entre os três ativos acompanhados.

Por que o vencimento depois da votação custa mais

A diferença de preço entre séries não é arbitrária: contratos que continuam vivos depois do pleito carregam mais volatilidade do que os que expiram antes dele. Matheus Medeiros, o Madruga, analista da Nomos, descreve exatamente esse mecanismo: “As opções que atravessam o segundo turno apresentam volatilidade implícita mais elevada do que as que vencem antes da votação. Em outras palavras, o mercado está cobrando um prêmio adicional de quem quer manter posições durante o evento eleitoral”

A leitura por trás disso é operacional. Quem segura um contrato durante o fim de semana da votação fica exposto ao primeiro movimento da Bolsa na reabertura, sem chance de ajustar a posição enquanto o pregão está fechado. Essa impossibilidade de reagir entra no preço antes, não depois.

As séries de novembro também carregam prêmio, mas em grau menor, justamente por estarem menos coladas ao evento eleitoral. A diferença entre os dois vencimentos funciona como termômetro de quanto da volatilidade é eleição e quanto é o resto.

Preço pago e direção do ativo não se confundem

O comportamento das opções após o primeiro turno serve de aviso para quem olha apenas o resultado da eleição. Naquele pregão, ações e o ETF tiveram movimentos expressivos e a volatilidade implícita caiu ao mesmo tempo — e, ainda assim, contratos de compra de Itaú, Banco do Brasil e Petrobras chegaram a subir até 364% no primeiro dia útil depois da votação.

Não há contradição nisso. Uma opção pode valorizar muito porque o ativo andou a favor do contrato, mesmo com a volatilidade implícita em queda. A conta do operador tem duas parcelas: o lado do movimento e o preço pago pela aposta. Acertar só a primeira resolve metade do problema.

O que uma IV de 69% não antecipa

Número alto não é probabilidade. Uma volatilidade implícita de 69% em BBAS3 não quer dizer 69% de chance de queda, nem que o mercado projeta alta ou baixa dessa magnitude para o papel. O que existe é expectativa de oscilação maior até o resultado eleitoral — intensidade, não sentido.

Para quem usa opções como seguro de carteira, a consequência é de custo: a proteção contra queda no banco ficou mais cara do que no patamar vigente logo após o primeiro turno, e também bem acima do que custa proteger Petrobras ou o ETF de índice. É por isso que a leitura das três séries passa pelo preço de atravessar o evento, e não por um sinal direcional sobre BOVA11, PETR4 ou BBAS3.

Em BBAS3, o prêmio eleitoral se soma a riscos próprios

Boa parte da volatilidade do banco não vem da eleição. A carteira de crédito, o nível de provisões e a exposição ao agronegócio são fatores que já influenciam a percepção de risco do papel e seguem no cálculo depois da apuração, independentemente de quem vença a disputa.

Em Petrobras, o pano de fundo é outro: a valorização do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio vem sustentando o desempenho da ação, que acumula ganho de cerca de 100% no ano. Já o BOVA11, por reunir uma cesta ampla de papéis, dilui os riscos individuais de cada empresa e por isso aparece com a menor volatilidade implícita do trio.

Ainda assim, é no banco que a reprecificação ligada à reta final eleitoral se mostra mais intensa. A alta da IV desde o primeiro turno é a mais pronunciada dos três ativos, e o retorno ao patamar de 67% a 69% mostra que o mercado recolocou no preço praticamente todo o prêmio que havia sido desfeito após as urnas.

O que observar até a apuração

Três pontos concentram a atenção na semana da votação. O primeiro é a brecha entre as séries que sobrevivem ao pleito e as que vencem antes dele: o tamanho dessa diferença mostra quanta incerteza o mercado decidiu cobrar de quem atravessa o fim de semana posicionado.

O segundo é o comportamento na reabertura. Eventos que concentram dúvida costumam produzir alívio de volatilidade logo depois de resolvidos, como ocorreu no primeiro turno — mas o ponto de partida agora é mais alto e o prêmio embutido é maior, o que muda a magnitude do movimento esperado.

O terceiro é a permanência do prêmio nas séries de novembro. Se a volatilidade continuar elevada nos vencimentos menos expostos à votação, a sinalização é de que a preocupação do mercado vai além da apuração e alcança o desenho da política econômica do próximo governo.

As opções não apontam para onde os três ativos vão depois das urnas. Mostram quanto o mercado cobra para carregar a dúvida — e, entre BOVA11, PETR4 e BBAS3, essa conta está mais alta no Banco do Brasil.