BBAS3: Lucro Recua 60% no 3º Trimestre
O Banco do Brasil (BBAS3) apresentou lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões no terceiro trimestre de 2025, uma redução de 60% em relação ao mesmo período de 2024, quando registrou lucro de R$ 9,5 bilhões. A queda foi fortemente impactada pelo aumento da inadimplência, especialmente no setor agrícola, que saltou de menos de 2% para 5,34%. A inadimplência geral também cresceu, passando de 3,33% para 4,93%.
Inadimplência Agrícola Preocupa
O agronegócio, que representa mais de 60% da carteira de crédito do banco, teve forte impacto nos resultados devido ao aumento de calotes. Isso fez com que o custo de crédito crescesse 77% no ano, totalizando provisões de R$ 100 bilhões. O banco já iniciou renegociações com produtores rurais, por meio da linha BB Regulariza Agro, que oferece prazo de até 9 anos e carência de 1 ano.
Guidance Revisto para Baixo
A diretoria do Banco do Brasil reviu suas projeções para 2025. A meta de lucro líquido ajustado foi reduzida de R$ 21 a R$ 25 bilhões para R$ 18 a R$ 21 bilhões. A carteira de crédito deve crescer entre 7,3% e 11,6% conforme o segmento, mas o custo de crédito aumentou de R$ 53 a R$ 59 bilhões. O banco também anunciou um pagamento de JCP no valor de R$ 400 milhões, equivalente a R$ 0,07 por ação, com rentabilidade bruta de 0,31%.
Projeções e Preço Teto Revisados
Com os resultados fracos, o Ativo Virtual reviu as projeções de lucro para R$ 19,2 bilhões em 2025. Considerando um payout de 30%, o dividendo por ação (DPA) projetado é de R$ 1,00. O preço teto para rentabilidade de 4% é de R$ 25,13. Para obter 10% de dividend yield, o papel teria que cair para R$ 10,05.
Mercado Recomenda Neutralidade
- Genial: Mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 24 (alta potencial de 5%).
- Morgan Stanley e Jefferies: Alertaram previamente sobre os riscos da carteira agrícola.
O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) do Banco do Brasil caiu para 8,4%, bem abaixo dos 23% do Itaú e 17% do Santander, mas ainda acima do Bradesco, com 14,8%.
Expectativa de Recuperação em 2026
O Ativo Virtual projeta que os resultados só comecem a melhorar de forma expressiva a partir do segundo trimestre de 2026, após a consolidação das renegociações no agronegócio. Apesar de operar com P/L elevado (em torno de 10 vezes), o banco está com P/VP com desconto de 29% e dividend yield de 7,52%.
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