O Banco do Brasil (BBAS3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com um lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões, um salto de 51,7% em relação ao trimestre anterior. Apesar do número ter superado as expectativas do mercado, que projetava R$ 4 bilhões, o Ativo Virtual alerta que o cenário para o acionista é de cautela, especialmente no que diz respeito à distribuição de proventos.
Desempenho Financeiro e Recuperação
O resultado trimestral positivo sinaliza uma tentativa de recuperação após um ano de 2025 turbulento, onde o Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) chegou a cair para patamares abaixo de 10%, bem distantes dos 22,5% registrados em 2023. No acumulado do ano, o lucro líquido ajustado somou R$ 20,7 bilhões, ficando dentro do guidance revisado pela instituição.
Embora a margem financeira bruta tenha crescido 5,4%, atingindo R$ 27,8 bilhões no último trimestre, o custo de crédito foi o grande vilão, saltando de R$ 10,2 bilhões no início do ano para R$ 18 bilhões ao fim de 2025.
O Choque dos Dividendos e Payout
A grande frustração para o mercado financeiro veio da confirmação da política de remuneração. O Banco do Brasil travou o payout em 30% e, segundo o CFO da instituição, não há previsão de dividendos extraordinários para os próximos três anos. O objetivo é fortalecer o balanço contra a deterioração do ciclo de crédito.
- Dividendos 2025: Totalizaram R$ 5,2 bilhões (aprox. R$ 1,17 por ação).
- Projeção 2026: Lucro estimado de R$ 22,7 bilhões, com Dividendo por Ação (DPA) projetado em R$ 1,18.
Inadimplência no Agronegócio e Riscos
O agronegócio, pilar histórico do banco, tornou-se o principal ponto de atenção. A inadimplência acima de 90 dias no setor saltou de patamares mínimos para 5,17% em 2025, reflexo das quebras de safra e queda no preço das commodities. Esse cenário obrigou o banco a aumentar as Provisões para Devedores Duvidosos (PDD), consumindo parte relevante da geração operacional.
O que muda para investidores
Para o Ativo Virtual, o investidor que busca dividendos imediatos pode se decepcionar com o BBAS3 em 2026, dado que a rentabilidade (Yield) projetada é de apenas 4,57% nas cotações atuais. O preço teto para quem espera 6% de retorno cairia para R$ 19,81, bem abaixo do valor de mercado de R$ 26,03.
Como alternativa para maximizar a renda, o estudo aponta para estratégias de dividendos sintéticos, utilizando opções para remunerar a carteira. Além do BBAS3, o Bradesco (BBDC4) também foi citado como ativo viável para essa modalidade, gerando prêmios entre 8 e 10 centavos por ação.
Análise Técnica e Preço Justo
Tecnicamente, as ações BBAS3 enfrentam resistência na região dos R$ 27,00. O mercado precifica o ativo com um desconto em relação aos pares privados, como Itaú, devido ao risco de ingerência política. Contudo, o Banco do Brasil segue negociado abaixo do seu valor patrimonial (PVP de 0,79), o que, segundo a fórmula de Graham, sugeriria um valor intrínseco de R$ 42,14, caso os fundamentos de longo prazo se estabilizem.
Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.