A Berkshire Hathaway reportou lucro líquido de US$ 10,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, impulsionada pela redução dos efeitos contábeis da marcação a mercado e por um avanço de 120% na comparação com os US$ 4,6 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. Paralelamente, a holding concentrou suas posições em grandes emissores e elevou seu colchão de liquidez para mais de US$ 390 bilhões, mantendo postura defensiva e seletiva na alocação de capital.

Composição da Carteira e Movimentações Trimestrais

As cinco maiores participações respondiam por cerca de 61% do valor total investido. American Express, Apple, Bank of America, Coca-Cola e Chevron lideram a alocação, respectivamente. O portfólio de ações fechou março em US$ 288 bilhões, registrando redução em relação aos US$ 298 bilhões acumulados no fim de 2025. A dinâmica de negociação envolveu a venda de aproximadamente US$ 24 bilhões em papéis e a aquisição de US$ 16 bilhões. A gestão reforçou a confiança no fabricante de tecnologia com uma declaração direta: "Delegamos 10% do capital da empresa à gestão da Apple".

Desempenho Operacional e Segmentos

O lucro operacional, métrica que isola os efeitos de marcação a mercado (ajustes contábeis que refletem a variação de preço de ativos financeiros e distorcem o resultado contábil de curto prazo), atingiu US$ 11,3 bilhões, alta de 18% frente ao ano anterior. A performance foi comandada pela unidade de seguros, que entregou resultado de subscrição (lucro gerado diretamente pela operação de apólices, após descontar sinistros e custos administrativos) de US$ 1,7 bilhão, expansão de 28%. A operação ferroviária BNSF gerou US$ 1,38 bilhão (+13%). O segmento de energia manteve-se estável em US$ 1,1 bilhão, enquanto indústria, serviços e varejo somaram US$ 3,2 bilhões (+4,5%).

SegmentoResultado (1T2026)Variação Anual
Indústria, Serviços e VarejoUS$ 3,2 bilhões+4,5%
SegurosUS$ 1,7 bilhão+28%
BNSF (Ferroviária)US$ 1,38 bilhão+13%
EnergiaUS$ 1,1 bilhãoEstável

Liquidez Recorde e Aquisição Estratégica

A soma de caixa e títulos do Tesouro dos EUA ultrapassou US$ 390 bilhões ao fim de março, evidenciando a preferência por ativos líquidos e seguros. Entre as iniciativas de expansão, a holding concluiu a compra da OxyChem (divisão química da Occidental Petroleum) por aproximadamente US$ 9,5 bilhões, reforçando a tese de consolidação em negócios industriais perenes.

O que isso significa para o investidor

A manutenção de liquidez recorde combinada com a concentração em empresas de geração de caixa previsível sinaliza aversão a avaliações esticadas e priorização de qualidade. Para o investidor brasileiro, o movimento reforça a correlação entre taxa de juros nos EUA e atratividade de ativos globais: se o Fed Funds Rate se mantiver elevado, a competição por renda fixa americana tende a pressionar múltiplos de valuation (preço relativo ao lucro ou patrimônio) de ações. A seletividade nas vendas (US$ 24 bi) versus compras (US$ 16 bi) indica revisão constante de risco e retorno relativo, comportamento que valida estratégias passivas de longo prazo em setores defensivos, desde que alinhadas à precificação atual.

Riscos e Fatores de Atenção

  • Concentração de carteira: 61% do valor alocado em cinco emissores amplia a sensibilidade a choques setoriais ou regulatórios específicos.
  • Exposição a juros e câmbio: Oscilações nos yields (taxas de retorno) de Treasuries americanos impactam diretamente a valoração de papéis e a atratividade relativa frente a ativos de mercados emergentes.
  • Sucessão e governança: A primeira assembleia anual em Omaha ocorreu sem Warren Buffett na condução direta, introduzindo incertezas sobre a manutenção do histórico modelo de alocação de capital nos próximos ciclos.

Perspectiva e Próximos Passos

O mercado monitorará a alocação dos US$ 390 bilhões em liquidez e a velocidade de execução de novas aquisições ou programas de recompra. Os próximos relatórios trimestrais trarão visibilidade sobre a rentabilidade dos negócios operacionais sob a nova estrutura decisória e a reação das divisões de seguros e logística às condições macroeconômicas e de custos nos Estados Unidos.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.