A Binance liberou saques em cinco moedas — dólar americano (USD), dirham dos Emirados Árabes Unidos (AED), dong vietnamita (VND), peso filipino (PHP) e rupia indonésia (IDR) — e passou a contabilizar US$ 5,165 bilhões em retiradas desde o ataque hacker que obrigou a exchange a suspender parte das operações, conforme dados da plataforma DefiLlama.

O fluxo, no entanto, perdeu força depois do estouro inicial. Na janela das 6h às 15h30 (UTC) de 1º de novembro, a plataforma registrou US$ 4,649 bilhões em retiradas e US$ 1,01 bilhão em depósitos; a saída líquida — diferença entre o que sai e o que entra — ficou em cerca de US$ 3,64 bilhões. Esse montante corresponde a 2,1% do patrimônio de US$ 171 bilhões que a empresa declara custodiar na Prova de Reservas mais recente, com data-base de 28 de outubro.

O ritmo dos saques depois do pico, segundo a exchange

No boletim oficial, a Binance afirma que retomou as retiradas de maneira gradual a partir de domingo. De acordo com a companhia, depois de um pico, o volume sacado diminuiu e passou a se estabilizar, enquanto os depósitos seguiram em patamar elevado. Parte dos clientes optou por tirar recursos, mas o fluxo de entrada não secou na mesma janela de tempo — combinação que ajuda a explicar por que a saída líquida ficou restrita a 2,1% do balanço.

Real, euro e iene figuram entre as moedas já sacáveis

A relação de ativos com retirada habilitada vai além das cinco novidades. O real brasileiro (BRL) está entre as divisas aceitas para saque, ao lado de euro (EUR), iene japonês (JPY), peso mexicano (MXN), peso argentino (ARS), bolívar venezuelano (VES), franco suíço (CHF), dinar kuwaitiano (KWD) e coroa sueca (SEK), entre outras de mercados asiáticos e africanos. Manter moedas locais na ponta do saque tende a encurtar o caminho de quem opera em países emergentes e reduz a necessidade de conversão intermediária antes de levar o dinheiro para a conta bancária.

Reservas sob nova conferência e cálculo de ZKP iniciado

A Binance informou ainda ter feito um novo registro de reservas e começado a calcular a prova de conhecimento zero (ZKP), técnica criptográfica que atesta uma informação sem revelar os dados por trás dela. O relatório atualizado, de acordo com a empresa, ficará disponível na área de Prova de Reservas do site, sem prazo informado. Prova de Reservas é o mecanismo pelo qual a exchange publica endereços e saldos que, em tese, demonstram lastro para os passivos dos clientes.

IndicadorValor
Total retirado desde o ataque (DefiLlama)US$ 5,165 bilhões
Retiradas entre 6h e 15h30 UTC de 1º/11US$ 4,649 bilhões
Depósitos no mesmo intervaloUS$ 1,01 bilhão
Saída líquida no intervaloUS$ 3,64 bilhões
Ativos totais declarados na PoR de 28/10US$ 171 bilhões
Peso da saída líquida sobre os ativos2,1%

O que muda para quem mantém posição em exchange

Dois pontos merecem atenção de quem acompanha o setor. O primeiro é operacional: a liberação em cinco moedas fiduciárias indica que a normalização ainda é parcial e avança por etapas, moeda a moeda, sem sinal de que todos os canais de saque estejam restabelecidos de uma vez. O segundo é analítico: o percentual de 2,1% usa como denominador um retrato de reservas de 28 de outubro, anterior ao episódio de saques de 1º de novembro. Até a publicação do relatório atualizado, a comparação serve como referência de ordem de grandeza, não como medição definitiva do impacto no balanço.

Historicamente, episódios de corrida por saques em corretoras de criptoativos costumam colocar preço no risco de custódia. Quem deixa recursos sob a guarda da exchange, em vez de manter autocustódia, carrega a exposição ao risco de contraparte da instituição — e o que reduz essa assimetria de informação é justamente a transparência das reservas. Por isso, o mercado tende a olhar com atenção para dois itens nas próximas semanas: a publicação do relatório de Prova de Reservas atualizado e a velocidade com que as demais moedas pendentes voltam a aceitar retirada.