Bitcoin recupera US$ 81 mil com PIB acima do previsto e PCE sem surpresa

O Bitcoin (BTC) tocou US$ 81.547 na Bitstamp na quinta-feira (29 de outubro de 2026), pouco depois da abertura de Wall Street, e devolveu a queda que o levou a US$ 79.607 após o fechamento diário de quarta. A combinação que sustentou o movimento: PIB americano do terceiro trimestre em 3,4%, acima dos 3,2% esperados, e PCE em linha com o consenso. Crescimento forte com inflação sem aceleração inesperada: o mercado comprou risco. Nem o tombo de 12% da Alphabet, após resultados fracos, contaminou a cripto.

O quadro macro que o Bitcoin digeriu

O índice de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) — a métrica de inflação que o Federal Reserve usa como bússola — subiu 0,5% em setembro frente a agosto e 3,6% em doze meses, segundo o Bureau of Economic Analysis (BEA). O núcleo, que deixa alimentos e energia de fora, marcou 3,1% na base anual. Nenhum dos números destoou do que o mercado projetava, o que reduziu o risco de reprecificação abrupta nos juros longos americanos.

A estimativa final do PIB do terceiro trimestre confirmou 3,4%, contra 3,2% de consenso. Na leitura de Chris Rupkey, economista-chefe da Fwdbonds, a atividade americana mantém tração mesmo com os riscos geopolíticos e com o encarecimento da energia, e o PIB real superou a barreira de 3% anualizados pela primeira vez em um ano.

IndicadorResultadoReferência
PCE de setembro (mês)+0,5%ante agosto
PCE em 12 meses+3,6%consenso
Núcleo do PCE em 12 meses+3,1%sem alimentos e energia
PIB do 3º tri (estimativa final)3,4%projeção de 3,2%
Faixa de juros do Fed3,75%–4,00%inalterada
BTC/USD no pico de quintaUS$ 81.547Bitstamp
BTC/USD na mínima de quartaUS$ 79.607após fechamento diário

Wall Street abriu no vermelho; o Bitcoin não seguiu

Os índices acionários americanos iniciaram o pregão em queda, puxados pela Alphabet, que perdeu 12% após divulgar receita e lucro do terceiro trimestre abaixo do esperado. O BTC, porém, seguiu o roteiro dos dados macro e não acompanhou o mau humor das ações de tecnologia — divergência relevante para quem monitora a relação entre cripto e bolsa americana.

Fed para os juros e mantém o discurso duro sobre preços

Na quarta-feira, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) preservou a taxa básica americana no intervalo de 3,75% a 4%, também em linha com o esperado. Na comunicação seguinte, o presidente Kevin Warsh classificou a atividade como em expansão forte e a inflação como elevada, citando resiliência do consumo interno, investimento robusto e desemprego estável, com a ressalva de que a incerteza geopolítica continua alta.

US$ 81.400: o número que decide o fechamento semanal

O trader e analista Rekt Capital descreve o BTC em vaivém entre US$ 80.400 e US$ 81.400, padrão que deve persistir até o fechamento semanal. Na avaliação dele, os compradores precisam reconquistar US$ 81.400 até o fim do candle semanal para validar a retomada.

No acumulado de outubro, o BTC/USD caminha para queda de 3,3% no fechamento mensal — desempenho distante do retorno médio de 26% que o mês registra desde 2010.

O que muda para o investidor brasileiro

A leitura é indireta, mas útil para quem opera na B3. Cripto vem funcionando como termômetro do apetite global por risco: quando os dados americanos confirmam crescimento sem inflação descontrolada, o dólar tende a ceder espaço e ativos de maior beta — mais sensíveis ao humor do mercado, como cripto, small caps e bolsas emergentes — respondem melhor. O sinal, porém, é frágil. Com o PCE em 3,6%, acima da meta de 2% do Fed, a porta segue aberta para juros altos por mais tempo, o que costuma pressionar moedas emergentes e reduzir o fluxo estrangeiro para o Ibovespa.

Para o investidor em cripto, o gatilho de curto prazo é objetivo: o fechamento semanal acima de US$ 81.400. Sem isso, o cenário continua sendo de oscilação entre suporte e resistência, sem tendência definida. Vale acompanhar também a temporada de balanços das big techs, que pode devolver volatilidade ao mercado americano e, por tabela, ao BTC.