Bitcoin esbarra em US$ 85 mil com 864.520 moedas na base de custo
A faixa entre US$ 84 mil e US$ 85 mil virou o principal divisor de águas do Bitcoin (BTC). É ali que 4,3% da oferta em circulação — 864.520 moedas — teve sua última movimentação registrada na rede, segundo a Glassnode, plataforma de análise de dados de blockchain. O mesmo intervalo concentra a base de custo de cerca de 4 milhões de BTC em carteiras de investidores de longo prazo. Duas camadas de oferta incidindo sobre o mesmo patamar ajudam a explicar por que o preço insiste em perder força exatamente nessa região.
A origem da concentração
Em 22 de novembro de 2025, um bloco relevante de moedas que estavam paradas voltou a circular, quando cada BTC valia algo entre US$ 84 mil e US$ 85 mil. São, conforme a Glassnode, 864.520 BTC — pouco mais de 4% de tudo que existe. A casa atribui a maior parte desse volume a um único grande detentor, que reorganizava fundos entre carteiras próprias. Transferências de uma carteira para outra do mesmo dono, em regra, não mexem no preço; ainda assim, o mercado passou a tratar a região como referência.
On-chain, no jargão do setor, é o registro público das transações gravado na própria blockchain — diferente do giro que aparece apenas dentro das corretoras.
Onze meses de testes
O nível ganhou status técnico por repetição. Em 11 meses, a faixa de US$ 84 mil a US$ 85 mil alternou as funções de piso e de teto. “Ela atuou como suporte em dezembro, quando o preço ricocheteou nela em 1º e 18 de dezembro. Ela cedeu em 31 de janeiro, quando uma tentativa de retorno a US$ 84 mil fracassou, e o Bitcoin caiu cerca de 20% nos dias seguintes”, registrou a Glassnode no boletim informativo The Week Onchain.
Depois disso, a oferta seguiu vencendo. Em maio, setembro e outubro, o impulso de alta arrefeceu nas proximidades do mesmo patamar, com máxima de US$ 87.400. Ao longo de todo o período, o BTC fechou acima do intervalo em apenas cinco dias, sem emendar mais de três sessões seguidas.
O peso dos detentores de longo prazo
A segunda camada de resistência vem de um grupo com perfil de longo prazo. A Glassnode classifica como detentor de longo prazo (LTH, na sigla em inglês) a carteira que passa ao menos 155 dias sem vender. Esse contingente detém cerca de 4 milhões de moedas cujo último movimento on-chain ocorreu entre US$ 85 mil e US$ 118 mil, com predominância de transações feitas ao longo de 2025. É oferta cujo custo de aquisição se concentra numa região de preço que o mercado ainda não conseguiu superar de forma consistente.
O termômetro desse grupo é o SOPR (índice de lucro dos outputs gastos, em tradução literal), que confronta o preço de cada moeda movimentada com o da transação anterior. A leitura atual dos LTH é de 0,99. Abaixo de 1, o número indica que essa fatia da oferta está sendo movimentada com prejuízo agregado — quem vende o faz, em média, por valor inferior ao que pagou.
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Faixa de resistência | US$ 84.000 a US$ 85.000 |
| Oferta com último movimento na faixa | 864.520 BTC (4,3% do total) |
| Máxima do período de testes | US$ 87.400 |
| Fechamentos acima do intervalo | 5 (no máximo 3 seguidos) |
| Base de custo dos detentores de longo prazo | US$ 85.000 a US$ 118.000 |
| Volume em mãos de LTH nessa faixa | ~4 milhões de BTC |
| SOPR dos detentores de longo prazo | 0,99 |
O que isso significa na prática
Para o investidor, o mapa é objetivo: US$ 84 mil a US$ 85 mil é a região onde oferta antiga trocou de mãos e passou a delimitar o comportamento do preço. O SOPR em 0,99 acrescenta uma camada de leitura: movimentações nessa faixa tendem a ocorrer com perda realizada, o que costuma vir de carteiras sob pressão, e não de realização de lucro.
Há limites na interpretação. Movimentar uma moeda não equivale a colocá-la à venda, e a concentração em um único detentor distorce a leitura de fluxo — o mesmo endereço pode responder por entradas e saídas que não representam decisão de mercado. Dados on-chain descrevem o que já aconteceu; servem para localizar zonas de oferta, não para antecipar o próximo movimento.
O que os números permitem afirmar é mais modesto e mais útil: existe uma faixa densa de custo imediatamente acima do preço, formada tanto por moedas que mudaram de mãos entre US$ 84 mil e US$ 85 mil quanto pelo estoque de longo prazo adquirido entre US$ 85 mil e US$ 118 mil. A região segue como referência de oferta para o mercado.
