O Bank of America (BofA) rebaixou sua exposição à renda variável brasileira de overweight (sobrepeso em relação ao índice de referência) para marketweight (peso de mercado ou alocação neutra) na carteira para a América Latina. O movimento reflete um cenário mais restritivo de política monetária e expectativas de lucro mais modestas, com a taxa básica de juros, a Selic, agora projetada em 14,25% ao ano para o fim de 2026, patamar acima da estimativa anterior de 13,25%. O ajuste ecoa a estratégia adotada pelo UBS no fim de maio, quando a instituição também reclassificou os ativos nacionais de "atrativos" para "neutros".
Cenário de Juros e Revisão Macroeconômica
A nova trajetória da curva de juros implica a realização de apenas mais um corte em junho, seguido de um período prolongado de manutenção. A equipe de estratégia global do banco destaca que a decisão considera a persistência de pressões inflacionárias, a desvalorização do real e o aumento da incerteza política.
"Os riscos de inflação permanecem inclinados para cima em meio à fraqueza do real, enquanto a volatilidade eleitoral aumenta", apontam David Beker e a equipe de estratégia em relatório oficial.
| Indicador | Projeção Anterior | Nova Projeção (BofA) |
|---|---|---|
| Selic (Fim de 2026) | 13,25% | 14,25% |
| Ajuste Previsto em Junho | Ciclos contínuos | Apenas um corte |
| Cenário de Crédito | Expansão acelerada | Mais deteriorado e seletivo |
Realocação Estratégica na América Latina
Paralelamente ao ajuste no Brasil, o banco elevou as recomendações para Chile e Colômbia, manteve a visão otimista para a Argentina e classificou o México como neutro. A alocação na região andina segue sendo monitorada de perto, especialmente diante do calendário político conturbado no Peru, onde a apuração do segundo turno presidencial permanece acirrada. O BofA mantém exposição indireta via IFS, respaldado pela resiliência dos fundamentos macroeconômicos locais.
| País | Posição na Carteira | Fator Determinante |
|---|---|---|
| Chile | Posição Elevada | Reformas em curso e PIB robusto |
| Colômbia | Posição Elevada | Valuation descontado e rentabilidade em alta |
| Argentina | Overweight (Sobrepeso) | Mantida |
| México | Marketweight (Neutro) | PIB fraco e risco de revisão comercial |
| Peru | Exposição Moderada | Suporte macro via IFS |
Movimentações na Carteira de Ativos
Dentro do universo de renda variável, o BofA prioriza instituições financeiras estruturadas para operar com crédito mais apertado e que apresentam baixa sensibilidade a ciclos de juros elevados. No setor de utilities (empresas de serviços públicos essenciais), a gestora substituiu Copel (CPLE3) por Equatorial (EQTL3), motivada por avaliação patrimonial (valuation) mais atrativa e maior flexibilidade na distribuição de capitais. Simultaneamente, foram removidas Sabesp (SBSP3), por ausência de catalisadores (fatos ou eventos com potencial de valorização imediata) de curto prazo, além de Ecorodovias (ECOR3) e Ânima (ANIM3), ativos considerados menos resilientes em um ambiente de custo de crédito elevado por mais tempo. Na Colômbia, Davivienda foi incluída. No Chile, Andina e BCI entraram na carteira, impulsionadas por resultados operacionais consistentes e ganhos de eficiência. Para o México, a preferência recai sobre o setor imobiliário (Vesta, Funo) e varejo selecionado (Sigma, Arca, KOF).
O que isso significa para o investidor
O rebaixamento técnico sinaliza que a estratégia de alocação ampla em papéis brasileiros perdeu força diante da curva de juros inclinada. O investidor pessoa física deve priorizar a qualidade de balanço e a capacidade de geração de caixa livre. No cenário otimista, um controle fiscal mais rígido e a estabilização cambial podem antecipar o ciclo de cortes e revalorizar ativos de crescimento. No cenário base projetado, a persistência da Selic acima de 14% sustenta o prêmio pela renda fixa e exige seletividade extrema na bolsa, favorecendo setores defensivos e bancos com provisões de crédito conservadoras.
Principais Riscos Monitorados
- Persistência de pressões inflacionárias e desvalorização cambial que forçam o Banco Central a manter a política monetária restritiva.
- Volatilidade eleitoral doméstica e incertezas regulatórias em setores de infraestrutura e saneamento.
- Possibilidade de revisão anual do USMCA (Acordo Comercial Estados Unidos-México-Canadá), evento que possui probabilidade estimada em 70% e impacta cadeias de suprimentos regionais.
- Arrefecimento do ritmo de expansão do PIB mexicano e enfraquecimento do momentum de lucros corporativos.
O acompanhamento dos dados de inflação, dos comunicados do Copom e dos desfechos eleitorais na região andina será determinante para validar ou revisar essas teses de alocação nos próximos trimestres.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
