Tese em 3 pontos

  1. O dividend yield de 12,47% é citado como o principal atrativo da Mitre.
  2. A análise lembra que a empresa atua na construção civil, setor sensível a juros elevados.
  3. Segundo a análise, o fundamento não mudou, e o que mudou foi a expectativa do mercado.

Bradespar (BRAP3/BRAP4) e Mitre (MTRE3) estão entre as empresas com maior dividend yield citadas na análise do Ativo Virtual sobre o calendário de dividendos de novembro. Para quem pergunta se esses papéis valem a pena, a resposta depende de dois fatores que pesam em sentidos opostos: o caixa distribuído pela companhia e o risco do setor em que ela atua.

No caso da Bradespar, o pagamento combinado de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) reforça a tese de renda, segundo a análise, e o papel aparece com P/L de 12 vezes e PVP 12% abaixo do valor patrimonial. Na Mitre, o desconto de 69% sobre o valor patrimonial e o dividend yield de 12,47% tendem a atrair quem busca renda, mas a empresa opera num setor sensível a juros. Em termos de trade-off, a assimetria pode ser favorável se o cenário de juros e de financiamento imobiliário não se deteriorar, algo que a própria fonte não garante.

Calendário de dividendos em destaque

A análise organiza os anúncios pela data-com, referência para quem tem direito ao provento, e pela data de pagamento. Os valores abaixo são os citados na análise, sem conferência independente.

EmpresaData-comPagamentoValor por açãoRentabilidade citada
IS Energia9/11 e 25/117/12R$ 0,18 em cada anúncio0,55% (ON) e 0,67% (PN)
Gerdau (GGBR3/GGBR4)10/1115/12R$ 0,341,56% (ON) e 1,34% (PN)
Metalúrgica (nome transcrito como Guerdal)10/1116/12R$ 0,161,54% (ON) e 1,39% (PN)
Bradespar (BRAP3/BRAP4)11/1123/11R$ 0,18/0,19 em dividendos e R$ 0,58/0,64 em JCP1,05% + 3,39% (ON); 1,03% + 3,5% (PN)
Dexxos (DXP3/DXP4)13/1126/11R$ 0,172,37% (ON) e 2,34% (PN)
Mitre (MTRE3)13/1127/11R$ 0,041,08% líquida
ALOS (ALUS3 na transcrição)Novembro (dia não citado)2/12R$ 0,290,84%
M. Dias Branco19/1130/11R$ 0,030,15%
CAMIL (CL3)30/118/12R$ 0,194,71%

Bradespar (BRAP3/BRAP4): pagamento duplo e yield de 12,80%

A Bradespar anunciou em 30 de outubro um pagamento duplo, combinando dividendos e JCP. A data-com é 11 de novembro e o pagamento, 23 de novembro. Segundo a análise, são R$ 0,18 por ação ordinária e R$ 0,19 por preferencial em dividendos, além de R$ 0,58 e R$ 0,64 em JCP, respectivamente.

A diferença entre as classes existe porque a companhia paga 10% a mais às ações preferenciais, de acordo com a fonte. Pelo cálculo citado, a rentabilidade é de 1,05% em dividendos e 3,39% em JCP para as ordinárias, e de 1,03% e 3,5% para as preferenciais.

Com a ação cotada a R$ 18,10, a análise classifica o papel como estável, por uma variação de apenas 0,7%. O P/L de 12 vezes é descrito como OK, o PVP está 12% abaixo do valor patrimonial e o dividend yield é de 12,80%, que, segundo a fonte, deve aumentar com o novo pagamento. Para quem busca renda, o caso pode ser atraente, mas um yield acima de 12% costuma exigir atenção à sustentabilidade do lucro e à origem da distribuição, pontos que a fonte não detalha.

Mitre (MTRE3): desconto de 69% e risco setorial

A Mitre tem data-com em 13 de novembro e pagamento em 27 de novembro, de R$ 0,04 por ação ordinária, com rentabilidade líquida de 1,08%. Com a ação a R$ 2,96, o papel recuou 10% nos últimos 12 meses. Segundo a análise, a ação disparou desde agosto, com alta de 46,94% até a máxima, e depois devolveu parte do movimento, voltando à região de R$ 2,80.

O P/L de 4,77 e o PVP com desconto de 69% chamam atenção. O dividend yield de 12,47% é citado como o principal atrativo da Mitre.

Ainda assim, a análise lembra que a empresa atua na construção civil, setor sensível a juros elevados. Segundo a fonte, as preocupações do mercado envolvem a capacidade das construtoras de financiar as próprias obras, a expectativa de elevação da questão fiscal no ano que vem e a possibilidade de recessão. Juros altos tendem a reduzir o número de clientes que conseguem financiar a compra de imóveis, o que pode pressionar as vendas do setor.

Dexxos (DXP3/DXP4): yield de 7,86% após a queda eleitoral

A Dexxos tem data-com em 13 de novembro e pagamento em 26 de novembro, de R$ 0,17 por ação ordinária e preferencial, com rentabilidade de 2,37% para as ordinárias e 2,34% para as preferenciais. A fonte também cita pagamentos adicionais de mesmo valor e mesma data-com, com datas que aparecem na transcrição como dezembro de 2026 e janeiro de 2027. Como essas datas aparecem de forma inconsistente no texto, convém conferi-las diretamente na B3 e nos comunicados da companhia.

Com a ação a R$ 7,23, a análise aponta P/L de 6 vezes, PVP 19% abaixo do valor patrimonial e dividend yield de 7,86%. A fonte atribui a queda recente das cotações ao cenário eleitoral, já que o resultado não foi o que o mercado esperava, e registra alta de 6,65% nos últimos 12 meses. Segundo a análise, o papel pode fazer sentido a depender do perfil do investidor.

IS Energia: pagamentos parcelados e preço justo de Graham

A IS Energia anunciou dois pagamentos de R$ 0,18 por ação, ambos com pagamento em 7 de dezembro. O primeiro tem data-com em 9 de novembro e o segundo, em 25 de novembro. As rentabilidades citadas são de 0,55% para as ordinárias e 0,67% para as preferenciais.

Com a cotação de R$ 24,74, a ação registra valorização de 1,45% em 12 meses, P/L de 15 vezes, PVP 22% abaixo do valor patrimonial e dividend yield de 7,33%. Pela fórmula de Benjamin Graham, citada no Investidor10, o preço justo seria de R$ 53,32, o que indicaria potencial de alta acima de 115%. Esse modelo é uma referência de cálculo, e não uma projeção de preço.

O histórico citado pela fonte mostra pagamento de R$ 3,29 em 2025 e de R$ 3,59 em 2021. Segundo a análise, 2024 não aparece sem proventos, porque a data de pagamento caiu em 2025, o que explica o ano de 2025 mais elevado.

Gerdau e metalúrgica: rentabilidade modesta e ganho acumulado

A Gerdau (GGBR3/GGBR4) tem data-com em 10 de novembro e pagamento em 15 de dezembro, com R$ 0,34 por ação. A análise diz que a relação entre preço e yield é a melhor do momento. Com a cotação de R$ 21,65, a ação valorizou 41,22% em 12 meses, com P/L de 15,76, acima do benchmark de mercado, mas não impagável. O PVP está 22% abaixo do valor patrimonial e o dividend yield é de 3,68%, afetado pela forte alta.

A metalúrgica citada na transcrição como «Guerdal» paga R$ 0,16 por ação ordinária e preferencial, com data-com em 10 de novembro e pagamento em 16 de dezembro, e rentabilidades de 1,54% e 1,39%. Com a ação a R$ 10, a análise registra valorização de 27,5% em 12 meses, P/L de 13,66 e PVP 33% abaixo do valor patrimonial, com dividend yield de 4,37%. Segundo a fonte, esse yield é modesto para quem busca renda de longo prazo, embora quem já investiu esteja com ganho no patrimônio. O preço justo de Graham citado é de R$ 15,62, com potencial de 56%.

ALOS (ALUS3): yield próximo de 15% e cotação pressionada

A ALOS anunciou pagamento de R$ 0,29 por ação ordinária, com data-com em novembro (dia não especificado na transcrição) e pagamento em 2 de dezembro, com rentabilidade líquida de 0,84%. Com a ação a R$ 23,50, a análise diz que o papel despencou na bolsa após ter subido recentemente, mas ainda registra valorização próxima de 5% em 12 meses.

Os indicadores citados são P/L de 12,72, PVP 8% abaixo do valor patrimonial e dividend yield de quase 15%. A diferença entre o 0,84% deste pagamento e o yield de quase 15% se explica porque o indicador soma os proventos dos últimos 12 meses, conforme a metodologia descrita na análise.

M. Dias Branco e CAMIL: quedas e expectativas do mercado

A M. Dias Branco tem data-com em 19 de novembro e pagamento em 30 de novembro, de R$ 0,03 por ação ordinária, com rentabilidade de apenas 0,15%. Segundo a análise, o problema é menos o valor em centavos e mais o preço: com a ação a R$ 15,68, a rentabilidade fica pequena. A cotação recuou 46% em 12 meses e voltou abaixo da mínima anterior ao rally, quando estava em R$ 16,15 em 29/09. Os indicadores citados são P/L de 8,14, PVP 38% abaixo do valor patrimonial e dividend yield de 6,23%.

A CAMIL (CL3) tem data-com em 30 de novembro e pagamento em 8 de dezembro, de R$ 0,19 por ação ordinária, com rentabilidade de 4,71%. A cotação também desmoronou na bolsa, segundo a fonte, e o trecho disponível cita o preço de R$ 3,97 antes de a transcrição ser interrompida.

Segundo a análise, o fundamento não mudou, e o que mudou foi a expectativa do mercado. Por isso, o papel pode fazer sentido a depender do perfil do investidor, mas o risco de a expectativa não se confirmar permanece.

Calendário de resultados que pode trazer novos anúncios

Além dos proventos já anunciados, a análise cita a agenda de balanços, que costuma trazer novos anúncios de dividendos perto da divulgação dos resultados. Segundo a fonte, a semana teve divulgações como Banco BMG e Suzano. Para os próximos dias, são citados:

  • 9/11: Log, JPS, TIM, Copasa, Brava Energia, Guararapes, Magazine Luiza, Itaúsa, Direcional e San Martinho.
  • 10/11: Petrobras.
  • 11/11: Banco do Brasil e Kepler.
  • Sem data exata na transcrição: BTG Pactual (BPAC11), Engie Brasil, Energisa, Aura Energia, Cogna, CVC, Frasle, Equatorial, MRV, Ultrapar, Oi e Lojas Americanas, entre outras.

O que muda para investidores

Para o investidor, a decisão tende a girar em torno de um trade-off entre renda imediata e risco de preço e de setor. Yields elevados podem refletir uma cotação em queda, e não apenas uma distribuição generosa, como sugerem os casos de ALOS e M. Dias Branco. Entre os casos citados, a Mitre é o que a análise associa diretamente ao risco de juros.

Alguns pontos merecem atenção antes de qualquer movimento:

  • Yield não é retorno total: o dividend yield considera a cotação atual e os proventos de 12 meses, então uma queda do preço pode alterar o indicador de forma rápida.
  • Datas importam: a data-com define quem recebe o provento, e a data de pagamento pode ser diferente, como ocorre com a IS Energia e a Bradespar.
  • Setor sensível a juros: a construção civil, citada no caso da Mitre, pode ser mais afetada por taxas altas e pela oferta de crédito.
  • Conferência: alguns tickers e datas aparecem de forma inconsistente na transcrição, e devem ser checados na B3 e nos comunicados das companhias.

Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos. Os dados são os citados na análise do Ativo Virtual e devem ser conferidos antes de qualquer decisão de investimento.