A Braskem (BRKM5) se prepara para reportar os resultados financeiros do quarto trimestre de 2025 (4T25) nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, sob um cenário de forte pessimismo por parte das principais casas de análise do país. O mercado antecipa o que os analistas classificam como uma "deterioração significativa", impulsionada por uma combinação de spreads comprimidos no mercado internacional e desafios operacionais nas plantas brasileiras. O dado mais impactante projetado pela XP Investimentos é um prejuízo líquido de R$ 2,7 bilhões, consolidando um encerramento de ano difícil para a petroquímica.
Estimativas Financeiras: Retração em Múltiplas Frentes
As projeções indicam que a Braskem enfrentará quedas de dois dígitos tanto na comparação trimestral (t/t) quanto na anual (a/a). A receita líquida deve sofrer o impacto direto da menor demanda e de preços menos atrativos no exterior. O EBITDA (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que mede a geração de caixa operacional da companhia, é o indicador que mais evidencia o estresse do período.
| Indicador Financeiro (Proj. XP) | Valor Estimado 4T25 | Variação Trimestral (t/t) | Variação Anual (a/a) |
|---|---|---|---|
| Receita Líquida | R$ 15,5 bilhões | -10% | -19% |
| EBITDA (R$) | R$ 480 milhões | -41% | -14% |
| EBITDA (US$) | US$ 89 milhões | - | - |
| Resultado Líquido | R$ -2,7 bilhões | - | - |
Compressão de Spreads e Excesso de Oferta
O principal fator de pressão sobre o balanço da Braskem é a queda nos Spreads Petroquímicos — que representam a diferença entre o preço de venda das resinas plásticas e o custo de suas matérias-primas, como a nafta e o etano. Segundo a prévia operacional, os spreads internacionais de polietileno (PE) recuaram aproximadamente 15% no trimestre. Esse movimento foi observado tanto na relação PE-nafta quanto na PE-etano.
Nos Estados Unidos, os preços do polietileno caíram cerca de 10% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Esse declínio é reflexo de um desequilíbrio entre oferta e demanda: trimestres anteriores de forte produção resultaram em estoques elevados, forçando uma correção de preços para escoamento. No mercado brasileiro, o cenário não foi distinto, com os spreads de resinas plásticas recuando 13% e os produtos químicos básicos apresentando queda de 9%.
Desafios Operacionais e Volume de Vendas
Além das condições de mercado, questões internas pesaram sobre os números da companhia. O volume total de vendas atingiu 2,31 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 4% t/t e 5% a/a. O desempenho foi puxado negativamente pela operação no Brasil, embora tenha havido uma compensação parcial pelas unidades no México.
A Taxa de Utilização do etileno no Brasil — indicador que mostra quanto da capacidade produtiva está sendo efetivamente utilizada — caiu para 59%. Isso representa uma queda de 6 pontos percentuais frente ao trimestre anterior e expressivos 11 pontos percentuais em relação ao 4T24. Dois fatores explicam essa ociosidade: uma parada programada para manutenção em uma unidade na Bahia e a escassez de matéria-prima em São Paulo.
O que isso significa para o investidor
Para o investidor pessoa física, os números reforçam a característica cíclica e de alta volatilidade da Braskem. O prejuízo bilionário projetado é reflexo de um momento em que a petroquímica global enfrenta baixa demanda e excesso de capacidade produtiva. Outro ponto de atenção destacado pelo Bradesco BBI é a ausência de valorização do real frente ao dólar no 4T25. No trimestre anterior, o câmbio havia ajudado a mitigar perdas contábeis, o que não deve ocorrer desta vez.
A falta desse efeito cambial positivo, somada ao EBITDA mais magro, deve consolidar o prejuízo de US$ 242 milhões (na visão do Bradesco BBI). O investidor deve monitorar se a empresa conseguirá normalizar sua taxa de utilização no Brasil nos primeiros meses de 2026 e se haverá sinais de recuperação nos spreads globais, que são o motor de rentabilidade da tese.
Fatores de Risco no Radar
- Cenário Global: A manutenção do excesso de oferta de polietileno nos EUA pode manter os preços deprimidos por mais tempo.
- Custo de Matéria-Prima: Volatilidade nos preços da nafta (derivada do petróleo) e do etano impacta diretamente as margens.
- Disponibilidade de Insumos: Problemas no fornecimento de matéria-prima em polos petroquímicos estratégicos, como o de São Paulo.
- Câmbio: A alta exposição da dívida e das receitas ao dólar gera volatilidade no lucro líquido final.
Perspectiva e Próximos Passos
A divulgação oficial dos resultados detalhados ocorrerá na quinta-feira (26). O mercado estará atento não apenas aos números retroativos, mas ao guidance (projeções) da administração para 2026. A normalização das operações na Bahia e a estratégia da companhia para enfrentar o ciclo de baixa do setor serão os principais pontos de questionamento nas teleconferências com analistas.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
