A BYD (1211) entregou 463.561 veículos de nova energia em setembro — o maior volume mensal da companhia em 2026 —, mas o ritmo de crescimento arrefeceu: a alta sobre setembro de 2025 ficou em 17%, contra 18% em agosto e 22% em julho. Os códigos citados são os papéis negociados em Hong Kong, praça onde a ação da montadora fechou com queda de 2,25%.

As cinco montadoras em números de setembro

A leitura do mês ganha nitidez quando as entregas das principais fabricantes chinesas são comparadas lado a lado.

MontadoraEntregas em setembroVariaçãoReferência anterior
BYD (1211)463.561+17%+18% em agosto
Leapmotor (9863)105.656+59%+81% em agosto
XPeng (9868)41.256≈ -1%não informado
NIO (9866)37.408+7,7%+14,5% em agosto
Li Auto (2015)31.817-6,3%não informado

A Leapmotor (9863) ficou com a maior taxa de expansão, depois de 105.656 veículos entregues e avanço de 59%, ainda assim um degrau abaixo dos 81% de agosto. Já a NIO (9866) somou 37.408 unidades, com 7,7% de crescimento — menos da metade dos 14,5% do mês imediatamente anterior.

Quem encolheu sentiu mais na bolsa

Duas fabricantes andaram na contramão. A XPeng (9868) entregou 41.256 veículos, com recuo próximo de 1%, e a Li Auto (2015) registrou 31.817 unidades, queda de 6,3%. Em Hong Kong, a reação foi proporcional ao tropeço: os papéis da Li Auto caíram 5,4% e os da XPeng perderam 4%, enquanto a BYD, ainda em expansão, ficou com a perda menor do grupo. O mercado parece ter separado duas coisas distintas — volume e direção do crescimento.

O freio em plena alta temporada

Setembro costuma ser um mês de vendas aquecidas no mercado automotivo chinês, e a expectativa de impulso sazonal não se confirmou. A equipe de análise do Nomura apontou procura doméstica e carteira de pedidos abaixo do previsto; a carteira de pedidos corresponde às encomendas já fechadas com clientes e que ainda não foram entregues. Na leitura do banco, o período de maior movimento não trouxe o empurrão esperado sobre as vendas.

No caso da BYD, o desempenho global contou com a ajuda das exportações, que compensaram parte do enfraquecimento da demanda interna.

Excesso de oferta e seleção de concorrentes

Anos de expansão acelerada e disputa intensa deixaram o setor com capacidade acima do que a demanda consegue absorver. A resposta tem sido movimentos de consolidação, com companhias buscando aquisições e parcerias. Para o Nomura, o mercado chinês de elétricos vive um momento de seleção, no qual a qualidade do desenvolvimento de produto tende a definir quem continua competindo.

O que muda para quem acompanha o tema

O episódio reposiciona o debate: o recorde absoluto de entregas perde peso para a taxa de crescimento. Uma montadora pode vender mais do que em qualquer mês e, ainda assim, ver o papel recuar, sinal de que a régua do mercado passou a medir velocidade, não só escala.

Para o investidor brasileiro com exposição ao tema — seja por ações listadas fora do país, seja por fundos e ETFs ligados à cadeia de veículos elétricos —, o ponto de atenção é a dependência da demanda chinesa. Quando a procura interna perde tração justamente no período mais forte do calendário, a concorrência tende a se deslocar para preço e para a capacidade de escoar produção em outros mercados. Num setor que caminha para consolidação, o desempenho individual de cada montadora passa a pesar mais do que o número agregado do mês.