Em meio a tensões geopolíticas crescentes e potenciais turbulências em commodities como petróleo e câmbio, Sidney Angulo, sócio do E-Business Park, opta por manter inalterada sua carteira de Fundos de Investimento Imobiliários (FIIs), argumentando que tais movimentos macroeconômicos exercem influência restrita sobre o mercado imobiliário brasileiro no curto prazo.
Choques externos com efeito marginal nos FIIs
Os FIIs demonstram resiliência ante perturbações globais porque seus ativos subjacentes consistem em imóveis físicos lastreados por contratos de aluguel de longo prazo. Essa estrutura confere menor exposição à volatilidade externa em comparação a outros segmentos do mercado financeiro, como ações ou renda fixa atrelada ao dólar.
Queda gradual dos juros como tendência dominante
O custo elevado do crédito pressiona empresas e consumidores, pavimentando o caminho para redução progressiva da taxa Selic nos próximos meses. Angulo projeta ausência de sustentação para patamares próximos de 15%, prevendo normalização em torno de 12% ou inferiores caso o ambiente macro se estabilize.
"Não vejo espaço para juros de 15% por muito tempo. Se o cenário se normalizar, é possível imaginar algo próximo de 12% ou até abaixo disso", afirma o investidor no programa Liga de FIIs.
Estratégia ancorada no longo prazo
Angulo concebe sua alocação não como um portfólio especulativo, mas como aquisição de imóveis reais, priorizando consistência ao longo do tempo.
"Eu não monto um portfólio. Eu monto uma carteira de imóveis. Quando faço uma alocação, penso em algo consistente e de longo prazo. Por isso eu mudo muito pouco", explica.Em momentos de correção pronunciada nas cotas dos FIIs, ele optou por aumentar exposição, ignorando ruídos de curto prazo.
"Quando estava todo mundo vendendo cotas, eu estava comprando. Eu nem acompanho essas oscilações de curto prazo", complementa.
FIIs versus ações: estabilidade em foco
A volatilidade nos FIIs revela-se modesta frente ao mercado acionário da B3. A trajetória dos fundos imobiliários apoia-se na eficiência da gestão e no controle do endividamento dos ativos subjacentes, promovendo padrões mais previsíveis.
"Fundo imobiliário não é volatilidade de ação. É uma coisa consistente. Se o fundo tem boa gestão e dívida controlada, o movimento tende a ser mais estável."
- Ações demandam monitoramento frequente e maior apetite por risco, com retornos atrelados a expansão corporativa.
- FIIs privilegiam renda mensal recorrente via distribuições, acrescida de potencial apreciação moderada das cotas.
O que isso significa para o investidor
Para o investidor pessoa física brasileiro, o posicionamento de Angulo reforça a atratividade dos FIIs em cenários de incerteza global, especialmente com a Selic em trajetória descendente e pressão inflacionária medida pelo IPCA possivelmente arrefecendo. No cenário otimista, a normalização dos juros até 12% impulsiona ocupação de imóveis e distribuições, enquanto no pessimista, choques prolongados no câmbio podem elevar custos operacionais de fundos logísticos ou de shoppings. Fatores como qualidade da gestão e patamar de dívida exigem escrutínio contínuo, em paralelo à evolução do CDI como benchmark para renda fixa.
Riscos
- Persistência de juros altos acima de 15% poderia comprimir yields dos FIIs ao elevar alternativas em renda fixa.
- Volatilidade em commodities globais, a exemplo do petróleo, indiretamente afeta fundos de lajes corporativas via impacto econômico amplo.
- Correções nas cotas durante pânico generalizado testam a convicção de longo prazo.
Adiante, acompanhe indicadores de crédito, reuniões do Copom e o programa Liga de FIIs, transmitido quartas-feiras às 18h no canal do InfoMoney no YouTube, para atualizações sobre alocações de investidores experientes.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
