A Cemig (CMIG4) demonstrou resiliência operacional no encerramento do quarto trimestre de 2025, entregando números que superaram as projeções do mercado financeiro. Em uma sessão marcada por volatilidade no Ibovespa, os ativos da estatal mineira se descolaram do índice geral, registrando uma valorização de 2,63% por volta das 12h30, com os papéis negociados a R$ 12,51. O otimismo dos investidores foi sustentado não apenas pela última linha do balanço, mas por uma mudança estratégica na mesa de comercialização que visa mitigar riscos para os próximos exercícios.
Desempenho Financeiro e Eficiência Operacional
O lucro líquido ajustado da companhia atingiu a marca de R$ 1,023 bilhão no 4T25, superando o que era aguardado pelos analistas. Esse resultado foi impulsionado pelo desempenho sólido do EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). O EBITDA recorrente ajustado, quando se exclui o equity income (resultado de equivalência patrimonial, que reflete o lucro de subsidiárias e coligadas), somou R$ 1,757 bilhão, ficando 8% acima das projeções do Itaú BBA.
| Indicador (4T25) | Valor Reportado | Comparativo / Performance |
|---|---|---|
| Lucro Líquido Ajustado | R$ 1,023 bilhão | Acima das expectativas |
| EBITDA Recorrente Ajustado | R$ 1,757 bilhão | 8% acima das projeções do BBA |
| EBITDA Recorrente | R$ 962 milhões | Crescimento de 4% (YoY) |
| Volume Faturado | +1,4% | Crescimento anual |
A gestão de perdas de energia também foi um ponto de destaque positivo. A Cemig encerrou o trimestre com um índice de perdas de 11,42%, mantendo-se levemente abaixo do teto regulatório de 11,46% estabelecido pela Aneel. Além disso, as despesas com PMS (Pessoal, Materiais e Serviços), componente crítico dos custos operacionais, apresentaram números mais favoráveis do que o projetado, reforçando a disciplina financeira da gestão atual.
Ajuste Estratégico na Comercialização de Energia
Um dos movimentos mais acompanhados pelos especialistas foi a redução da exposição negativa da companhia no mercado de energia. Pela primeira vez em 2025, a Cemig reduziu sua posição vendida — que ocorre quando a empresa se compromete a entregar mais energia do que possui garantida, precisando comprar o excedente no mercado — para o período entre 2026 e 2028. Esta redução estratégica envolveu 124 MW (megawatt) médios para 2026, 60 MW médios para 2027 e 93 MW médios para 2028.
Embora esse processo de fechamento de posições em aberto tenha gerado um impacto negativo pontual de R$ 184 milhões no Ebitda recorrente do trimestre, a leitura do mercado é de que a decisão foi acertada. Em um cenário de preços de energia em patamares elevados, manter uma exposição vendida excessiva traria riscos severos à rentabilidade futura. Com esse ajuste, a empresa limpa parte de seu horizonte de riscos comerciais.
O que isso significa para o investidor
Os resultados do 4T25 reforçam a tese de que a Cemig tem conseguido equilibrar a distribuição de proventos com a saúde operacional. A aprovação de R$ 658 milhões em proventos, divididos em duas parcelas iguais, sinaliza o compromisso com o retorno ao acionista. Para o investidor de perfil intermediário e avançado, a capacidade da empresa em operar abaixo dos limites regulatórios de perdas é um indicador fundamental de eficiência em um setor de capitais intensivos.
O cenário macroeconômico, com a Selic e a inflação influenciando o custo da dívida e os reajustes tarifários, exige atenção, mas a melhora no perfil de comercialização para os próximos três anos oferece uma camada de previsibilidade que o mercado costuma premiar. A resiliência dos volumes faturados, mesmo com o avanço da DEG (Geração Distribuída, como a energia solar em telhados), sugere uma base de clientes robusta e adaptável.
Riscos Estruturais e Financeiros
Embora o balanço tenha sido positivo, os riscos inerentes ao setor elétrico e à estrutura da companhia não devem ser ignorados:
- Exposição a Preços: Apesar da redução da posição vendida, a volatilidade no Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) ainda pode impactar a margem da mesa de comercialização.
- Risco Regulatório: Mudanças nas normas da Aneel ou alterações nos contratos de concessão podem afetar a rentabilidade futura.
- Despesas Operacionais: O controle contínuo dos gastos com PMS é vital para manter a competitividade frente a outras utilities privadas.
Perspectiva e Próximos Passos
Olhando adiante, os investidores devem monitorar a continuidade da estratégia de redução de exposição no mercado livre de energia e a execução do plano de investimentos (Capex) para 2026. A data de corte e os detalhes para o recebimento dos R$ 658 milhões em proventos aprovados serão os próximos gatilhos de liquidez para a ação CMIG4 no curto prazo.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
