Três credores entraram na Justiça americana, na quarta-feira (21), com um pedido involuntário de Chapter 11 — o equivalente à recuperação judicial nos Estados Unidos — contra a Braskem America Finance Company, subsidiária indireta da Braskem (BRKM5). Os fundos FFI Fund Ltd., FYI Ltd. e Olifant Fund Ltd. detêm US$ 272 milhões em papéis da companhia, perto de 47% do valor nominal total da emissão em circulação.
A dimensão do movimento está na fatia concentrada por esses três fundos: quase metade de uma única linha de bônus, com juros de 7,125% ao ano e vencimento em 2041, cujo principal soma cerca de US$ 589 milhões. O pedido trata apenas da America Finance e dessa dívida.
Três credores e um único papel de 2041
O Chapter 11 involuntário é o instrumento pelo qual credores, e não a própria empresa, provocam a reorganização judicial de um devedor nos Estados Unidos. Na prática, a negociação sobre prazo e valor de uma dívida específica passa a ocorrer sob supervisão da Justiça americana.
| Item | Dado |
|---|---|
| Credores | FFI Fund Ltd., FYI Ltd. e Olifant Fund Ltd. |
| Papel | juros de 7,125% ao ano, vencimento em 2041 |
| Posição dos credores | US$ 272 milhões, cerca de 47% da emissão |
| Principal total | US$ 589 milhões |
| Devedora no pedido | Braskem America Finance Company |
O que o pedido não alcança
Em comunicado, a Braskem afirmou que a companhia e as demais subsidiárias não figuram como devedoras no processo. Ficam fora do pedido americano as empresas abrangidas pela recuperação extrajudicial em curso no Brasil e aquelas alcançadas pelo procedimento de Chapter 15 nos Estados Unidos — o mecanismo que dá reconhecimento internacional a uma reorganização conduzida em outra jurisdição.
Para quem acompanha BRKM5, o ponto que muda a leitura de risco é o perímetro: a ofensiva judicial atinge uma subsidiária indireta e uma emissão privada no exterior, enquanto a controladora e as demais operações continuam sob os ritos já em andamento. Movimentos desse tipo tendem a deslocar a discussão para prazo e ordem de pagamento entre credores, tema que costuma ganhar peso na avaliação do risco de crédito de emissores com dívida relevante em moeda estrangeira e vencimentos longos.
A resposta da subsidiária e o encontro das duas frentes
O próximo passo é a manifestação da subsidiária no processo americano e a verificação de como as duas frentes, a brasileira e a americana, se acomodam. O episódio se resume à concentração: 47% de uma emissão de US$ 589 milhões estão nas mãos de três credores que optaram pela via judicial dos Estados Unidos.
