A Claro Participações, por intermédio de sua controladora Claro NXT Telecomunicações S.A., consolidou um movimento estratégico no setor de fibra óptica ao anunciar a aquisição de 73,01% do capital social da Desktop S.A. (DESK3). O negócio, comunicado ao mercado via fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), envolve o montante de R$ 2.414.749.380. O valor estabelecido por cada ação ordinária (ON) foi de R$ 20,82, encerrando meses de negociações entre as companhias sobre as condições financeiras e o preço final do ativo.
Estrutura Financeira e Valuation
A transação foi estruturada sobre um Enterprise Value (Valor da Firma) — métrica que soma o valor de mercado das ações à dívida líquida — de R$ 4.000.000.000. Para chegar ao preço base por ação, o acordo considera o endividamento líquido da Desktop projetado para 30 de setembro de 2025, situado em R$ 1.585.250.620. A fatia adquirida pela Claro corresponde a 84.684.273 ações ordinárias, que pertenciam ao bloco de controle formado pela Makalu Brasil Partners I J e pelos acionistas Denio Alves Lindo, Mucio Camargo de Assis Filho, Marcos Camargo de Assis e José Carlos Franco Júnior.
| Indicador da Operação | Valor Detalhado |
|---|---|
| Preço por Ação (Base) | R$ 20,82 |
| Volume Total da Compra | R$ 2.414.749.380 |
| Percentual do Capital Adquirido | 73,01% |
| Enterprise Value (EV) Total | R$ 4.000.000.000 |
| Dívida Líquida (Ref. 30/09/2025) | R$ 1.585.250.620 |
Condicionantes e Oferta Pública (OPA)
A concretização definitiva do negócio depende do aval de órgãos reguladores fundamentais: o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Além disso, a Desktop deverá convocar uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) — reunião de acionistas para decisões urgentes — com o objetivo de alterar seu Estatuto Social. A pauta principal será a exclusão da cláusula de Poison Pill, que obriga a realização de ofertas públicas sempre que um investidor atinge participações relevantes, permitindo assim a livre transferência do controle para a Claro.
Após o fechamento, a Claro protocolará junto à CVM o pedido de registro de uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) por alienação de controle. Esta oferta assegura o Tag Along (mecanismo de proteção aos minoritários) de no mínimo 100% do valor pago aos controladores. Na prática, os demais acionistas da Desktop terão o direito de vender suas posições pelo mesmo valor de R$ 20,82 por ação, ajustado conforme os termos do contrato até a data do fechamento.
O que isso significa para o investidor
A aquisição da Desktop pela Claro sinaliza a continuidade da consolidação do mercado de provedores regionais de internet (ISPs) no Brasil. Para o investidor de DESK3, o preço de R$ 20,82 serve como uma âncora de valor para os papéis no curto prazo. O acionamento do Tag Along é o ponto de maior atenção, pois oferece uma janela de saída com paridade de condições em relação aos fundadores e controladores.
O cenário macroeconômico, marcado pela volatilidade da taxa Selic, costuma pressionar empresas de capital intensivo e alto endividamento, como as de telecomunicações. Ao integrar a Desktop à sua estrutura, a Claro busca sinergias operacionais e capilaridade em regiões onde a Desktop possui dominância técnica. O investidor deve monitorar a velocidade das aprovações regulatórias, visto que qualquer entrave no CADE ou na Anatel pode impactar o cronograma de liquidação financeira da oferta aos minoritários.
Riscos da Operação
- Risco Regulatório: Possibilidade de restrições ou remédios impostos pelo CADE e Anatel que possam alterar o Valuation original.
- Risco de Governança: A necessidade de aprovação em AGE para alteração estatutária exige quórum e alinhamento dos acionistas remanescentes.
- Ajustes de Preço: O valor final por ação está sujeito a ajustes contratuais baseados no endividamento e capital de giro até a data do fechamento efetivo.
Os próximos passos envolvem a submissão dos documentos aos órgãos de defesa da concorrência e a convocação formal dos acionistas da Desktop. O mercado aguarda as datas definitivas para o protocolo da OPA na CVM, que definirá o prazo para que os investidores pessoa física exerçam seu direito de venda das ações sob as novas condições de controle.
