A Cemig (CMIG4) registrou lucro próximo a R$ 1 bilhão no primeiro trimestre de 2026, apresentando um cenário operacional misto que divide opiniões entre analistas. Enquanto o segmento de distribuição entregou resultados robustos, as áreas de geração e comercialização enfrentaram pressão devido a custos energéticos elevados, redução do GSF (Fator de Garantia Física) e alta no PLD (Preço de Liquidação das Diferenças). A análise do Ativo Virtual detalha os indicadores, níveis técnicos e o momento ideal para alocação de capital.

Resultados, CAPEX e Estrutura de Dívida

O EBITDA recorrente atingiu R$ 1,79 bilhão, com investimentos (CAPEX) de R$ 1,48 bilhão no trimestre. A estratégia foca na modernização da rede e na experiência do cliente, o que deve impactar positivamente a base de remuneração regulatória. A dívida possui prazo médio de 6,6 anos, com 76% dos vencimentos concentrados após a revisão tarifária de 2028, e alavancagem estável em 2,45x, mantendo ratings de crédito elevados.

Análise Técnica: Suporte e Inflexão

As ações da CMIG4 entraram em correção de médio prazo após uma forte alta no segundo semestre de 2025. O ativo consolidou suporte na faixa de R$ 10,62 a R$ 10,38. Para reverter a tendência, o mercado precisa superar as resistências em R$ 11,75 e R$ 12,25. A perda dos R$ 10,38 indicaria fraqueza adicional e exigiria paciência e novos pontos de entrada estratégicos.

Fundamentalista e Preço Justo

Na cotação de R$ 10,86, o múltiplo Preço/Lucro (P/L) está em 6,42x, significativamente abaixo da média histórica e dos benchmarks conservadores. O Preço/Valor Patrimonial (P/VP) opera próximo a 1,08x. Pela fórmula de Benjamin Graham, o preço justo seria de R$ 19,59, apontando uma desvalorização de mercado em relação à geração real de lucro.

Dividendos e Projeções de Retorno

A CMIG4 mantém pagamento ininterrupto de proventos desde 2016, com Dividend Yield acumulado em 12 meses de 11,69%. A projeção de Dividendo por Ação (DPA) para 2026 é de R$ 1,80, com payout esperado de 65%. Um novo anúncio de proventos para a segunda quinzena de junho é considerado altamente provável, seguindo o histórico da companhia.

O que muda para investidores

  • Preço Teto por Yield: Para obter 4% de retorno, paga-se até R$ 45; para 6%, até R$ 30; para 8%, até R$ 22,50; e para 10%, até R$ 18.
  • Estratégias de Renda: O uso de dividendos sintéticos e opções é recomendado para acelerar o fluxo de caixa, independentemente do calendário oficial de pagamento da empresa.
  • Visão de Longo Prazo: A tese de investimento está ancorada na execução do CAPEX e na potencial aprovação de investimentos pela ANEEL na revisão de 2028, que deve fortalecer o EBIT e os futuros repasses aos acionistas.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.