Após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026, a Cemig (CMIG4) apresentou um cenário misto que reforça a importância de separar o ruído de curto prazo dos fundamentos de longo prazo. Apesar da queda de 6% no lucro líquido em relação ao ano anterior, a companhia mantém sua posição como um ativo defensivo do setor elétrico, com a próxima revisão tarifária da Aneel prevista para 2028 atuando como principal catalisador de valorização.

Resultados do 1T26: Distribuição Brilha, Comercialização Pesa

O EBITDA recorrente atingiu R$ 1,79 bilhão, praticamente estável (-0,6%), enquanto o lucro líquido recorrente ficou em R$ 979 milhões (-4,1%). A distribuição, carro-chefe regulado, cresceu 26,6% no EBITDA e reduziu perdas totais para 11,4%, ficando abaixo do limite regulatório. Em contrapartida, a geração e comercialização sofreram com a elevação dos custos de compra de energia, GSF mais baixo e Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) elevado, gerando prejuízo de R$ 161 milhões na frente comercial.

Revisão Tarifária de 2028 e Plano de Investimentos

A empresa direcionou R$ 1,28 bilhão dos R$ 1,48 bilhões de CAPEX do trimestre para a distribuição. O plano estratégico projeta aportes robustos até 2030. Caso a Aneel reconheça esses investimentos na revisão tarifária de 2028, a companhia poderá expandir significativamente sua base remunerável, com impactos diretos no EBITDA e no lucro futuro, compensando a volatilidade de outras áreas.

Dividendos e Valuation

A política de remuneração segue atrativa, com Dividend Yield atual próximo de 11,05% e payout esperado de 65%. Para o exercício, projeta-se um dividendo por ação (DPA) de R$ 1,80. Indicadores como P/L apontam ação descontada em relação ao mercado, enquanto a fórmula de Graham sugere um preço justo superior a R$ 19,00. A alavancagem está em 2,45x, com classificação de risco AA+ e prazo médio da dívida de 6,6 anos, sendo que 76% dos vencimentos ocorrem após 2028.

Análise Técnica e Cenário de Preços

No gráfico semanal, a CMIG4 negocia próxima a R$ 11,36, encontrando suporte em R$ 11,17 e resistência histórica na faixa de R$ 13,85. A tendência de médio prazo permanece de alta, mas o ativo vive momento de inflexão. Perda consistente dos R$ 11,17 acionaria alerta de curto prazo, enquanto a consolidação acima de R$ 11,75 abriria caminho para testar o topo anterior.

O que muda para investidores

  • Curto prazo: Atenção à execução do capex, alongamento da dívida e recuperação da geração e comercialização de energia.
  • Longo prazo: A tese depende da aprovação da revisão tarifária, que deve destravar nova fase de rentabilidade regulada e sustentabilidade dos proventos.

Conforme destacam as análises do Ativo Virtual, investidores devem evitar decisões baseadas em manchetes e focar na capacidade real de geração de caixa e nos ciclos regulatórios da empresa, utilizando o preço teto e os níveis técnicos como guias de gestão de risco.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.