A entrada da Compass (PASS3) no radar de quatro grandes casas de análise ocorre pouco mais de um mês após sua oferta pública inicial de ações (IPO), consolidando o interesse institucional na desdobrada de energia do Grupo Cosan (CSAN3). Itaú BBA, Bradesco BBI, BTG Pactual e JPMorgan iniciaram o acompanhamento do ativo com viés positivo, impulsionando o papel para uma alta de 3,88%, cotado a R$ 25,96 na sessão desta quarta-feira (17), às 10h29. O movimento reflete a leitura favorável sobre a combinação entre fluxos de caixa previsíveis e vetores de expansão no setor de gás natural.

Mapeamento das Casas e Expectativas de Valorização

A chegada simultânea de instituições de primeira linha cria um panorama detalhado sobre o horizonte de preços. As análises convergem para a atratividade do papel no médio prazo, com metas que sinalizam ganhos expressivos frente à cotação vigente. A equipe do BTG Pactual, liderada por Antonio Junqueira, projeta a maior valorização potencial, fixando R$ 38 como objetivo, equivalente a 52% de upside (potencial de alta). O JPMorgan adota a nomenclatura overweight (sobrepeso em carteiras, equivalente à recomendação de compra) e traça o alvo de R$ 34, com potencial de 36%. O Bradesco BBI alinha-se a R$ 37, enquanto o Itaú BBA, sob comando de Monique Greco, define R$ 35 para o encerramento de 2026, apontando cerca de 40% de retorno esperado.

InstituiçãoRecomendaçãoPreço-AlvoPotencial
Itaú BBACompraR$ 35 (fim 2026)~40%
Bradesco BBICompraR$ 37~42%
BTG PactualCompraR$ 3852%
JPMorganOverweight (Compra)R$ 3436%

Pilares Estratégicos: Regulação e Mercado Livre

A tese central das casas repousa na dualidade operacional da empresa. A base de ativos regulados, ancorada pela Comgás, maior distribuidora de gás canalizado do país, assegura receitas recorrentes com correção pela inflação e crescimento gradual da base regulatória, funcionando como estabilizador de caixa. Paralelamente, a plataforma Edge atua no mercado livre de gás, administrando o terminal de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL, resfriado a baixas temperaturas para facilitar transporte e armazenamento) na Baixada Santista, com capacidade de 14 milhões de metros cúbicos por dia. O Bradesco BBI, por meio dos analistas Vicente Falanga e Gustavo Sadka, destaca que a assinatura de contratos com usinas termelétricas e complexos industriais, aliada à expansão da segunda fase do terminal, reduz incertezas e amplia a visibilidade sobre volumes. A infraestrutura nacional de gás ainda apresenta capilaridade restrita, o que confere vantagem competitiva a ativos estratégicos como o empreitado pela subsidiária.

Múltiplos, Descontos e Probabilidades de Mercado

Sob a ótica de valuation (avaliação de empresas), o BBI aponta que o ativo negocia a aproximadamente 6,1 vezes o EV/Ebitda (valor da firma dividido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) projetado para 2026 e 12,8 vezes o P/L (múltiplo que divide a cotação pelo lucro líquido por ação). Essa precificação implica um desconto de cerca de 35% frente aos pares diretos. Para os analistas, tal abatimento não captura inteiramente o perfil de geração de caixa e o retorno do capital empregado. A taxa interna de retorno (TIR, indicador que iguala o valor presente dos fluxos futuros ao investimento inicial) mantém-se atrativa, com o JPMorgan calculando uma TIR real de 12%. O mesmo banco projeta que o braço regulado distribuirá aproximadamente R$ 1,5 bilhão anuais em proventos entre 2026 e 2030, lastreado nos retornos tarifários. A área de serviços pode registrar CAGR (taxa de crescimento anual composta) de 20% no Ebitda nos próximos cinco anos. O mercado, contudo, precifica apenas 40% de probabilidade para a materialização desse cenário, deixando margem para reavaliação.

O que isso significa para o investidor

A leitura institucional desenha um papel híbrido, com perfil que une características de infraestrutura e crescimento orgânico. Para o investidor pessoa física, a previsibilidade do segmento regulado oferece um colchão de segurança em ciclos de volatilidade, enquanto a exposição ao mercado livre introduz variáveis ligadas à demanda industrial. Em um ambiente onde a Selic e o IPCA influenciam diretamente o custo de capital e a correção tarifária, ativos com reajustes periódicos tendem a atuar como proteção real. O cenário otimista depende da execução dos projetos de expansão e da manutenção dos marcos regulatórios. Na hipótese de atrasos ou mudanças nas regras de tarifação, os múltiplos atuais podem ser pressionados. A análise não sugere posicionamento, mas evidencia a necessidade de acompanhar a conversão de contratos em caixa.

Fatores de Atenção e Riscos do Modelo

  • Cumprimento do cronograma físico-financeiro da segunda fase do terminal de regaseificação;
  • Viabilidade e vigência de contratos industriais e com termelétricas, sujeitos a ciclos de investimento;
  • Risco de revisão de margens nas regras de tarifação impostas pelas agências estaduais;
  • Precificação conservadora pelo mercado, que reflete baixa probabilidade no cenário de crescimento acelerado;
  • Dependência da malha logística nacional e da competitividade frente a fontes alternativas de energia.

O roteiro de observação para os próximos trimestres deve focar nos comunicados sobre a assinatura de novos contratos de fornecimento e no andamento do empreendimento em Santos. A evolução do volume processado pela Edge e a atualização das diretrizes estaduais servirão como catalisadores para a reprecificação do ativo. Investidores devem acompanhar os relatórios trimestrais para validar a conversão do Ebitda projetado e a sustentabilidade da política de distribuição.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.