A conclusão da privatização da Companhia de Saneamento Básico de Minas Gerais (Copasa) já altera a calibragem de mercado. A equipe do Bradesco BBI elevou o rating da Copasa (CSMG3) para outperform (recomendação de compra, indicando expectativa de desempenho superior ao benchmark de referência) e fixou o preço-alvo em R$ 73 por ação para o final de 2026. O movimento foi divulgado um dia após o encerramento oficial da venda em 11 de junho, consolidando a Equatorial (EQTL3) como detentora de uma fatia de 30% do capital. Na abertura do pregão, por volta das 10h10, os papéis negociavam em alta de 1,24%, cotados em R$ 59,00.

Eficiência Operacional e Regulação

A tese institucional, assinada por Francisco Navarrete, João Fagundes e Matheus Caruso, sustenta-se na aceleração de ganhos de produtividade sob a nova governança. O banco projeta uma redução de 40% nas despesas operacionais nos próximos quatro anos. Simultaneamente, a migração para um modelo regulatório baseado em retorno sobre ativos (ROA) deve facilitar a incorporação de novos investimentos de capital (CAPEX, ou gastos com expansão e modernização da infraestrutura) na base tarifária. Outro pilar técnico é a estimativa de queda gradual na taxa de retorno regulatória (WACC, ou Custo Médio Ponderado de Capital, que define o custo mínimo exigido pelos financiadores para um projeto) para cerca de 7,5% até 2037.

Projeções de Lucro e Política de Proventos

A reestruturação societária desbloqueia uma estratégia de remuneração aos acionistas mais agressiva. A instituição antecipa um payout (percentual do lucro líquido distribuído em forma de proventos) superior a 75% a partir de 2027, viabilizado pelo fortalecimento da geração de caixa. O relatório destaca ainda a possibilidade de um dividendo extraordinário estimado em pelo menos R$ 2,1 bilhões no exercício de 2027. Combinado ao fluxo recorrente, o retorno total (valorização cambial mais proventos) pode alcançar aproximadamente 14% no ano. No campo da rentabilidade, o EPS (Lucro por Ação, métrica que divide o lucro líquido pelo número total de papéis em circulação) deve apresentar um CAGR (Taxa de Crescimento Anual Composta) de 13% entre 2026 e 2033.

Métrica / IndicadorValor ProjetadoHorizonte
Preço-atual (cotação de mercado)R$ 59,00Pregão 10h10
Preço-alvo (target)R$ 73,00Fim de 2026
CAGR do EPS13% a.a.2026 a 2033
Redução de Despesas Operacionais (OPEX)40%4 anos
WACC regulatório estimado~7,5%Até 2037
Payout esperado> 75%A partir de 2027
Dividendo extraordinário projetadoR$ 2,1 bilhõesExercício 2027

Liquidez, Fundos Passivos e Visão Setorial

O incremento do free float (porção de ações em livre negociação na bolsa, excluindo blocos de controle e acionistas estratégicos) pós-privatização atua como catalisador de liquidez. O BBI antecipa alocações relevantes por parte de ETFs (Fundos de Índice, que replicam passivamente um benchmark) e fundos quantitativos, o que historicamente confere suporte às cotações. Sob a lente setorial, o banco equipara o momento atual do saneamento à fase de maturação da distribuição de energia elétrica entre 10 e 15 anos atrás. O mercado de Minas Gerais apresenta margem para consolidação de ativos, aprimoramento da gestão de rede e cumprimento das metas de universalização dos serviços até 2033.

O que isso significa para o investidor

Para o investidor pessoa física, a estrutura desenhada aponta para um papel em transição de perfil defensivo para renda variável de crescimento. A trajetória de contenção de custos e a regulação tarifária atrelada a ativos tendem a preservar as margens mesmo com o custo de oportunidade elevado, refletido nas taxas Selic e CDI. No cenário base, a sinergia com a Equatorial acelera a curva de aprendizagem em eficiência e disciplina de alocação. No cenário adverso, entraves na universalização ou reajustes regulatórios mais restritivos podem alongar o ciclo de desembolsos e pressionar o WACC. O acompanhamento deve focar nos cronogramas de investimentos, na efetividade do corte de OPEX nos resultados trimestrais e no posicionamento do agente regulador estadual sobre as novas bases de remuneração.

Fatores de Atenção

  • Risco regulatório: mudanças nas diretrizes de repasse tarifário ou na metodologia de cálculo do custo de capital podem impactar diretamente a rentabilidade projetada e o cronograma de investimentos.
  • Risco de integração e execução: a assimilação de processos pós-privatização e a expansão de infraestrutura em um território extenso exigem coordenação logística e técnica complexa.
  • Risco de mercado e fluxo de capital: oscilações nas taxas de juros domésticas e variações no apetite global por renda variável podem alterar o ritmo de entrada dos fundos passivos e a liquidez diária do ativo na B3.

Os próximos ciclos de divulgação de resultados serão determinantes para validar a curva de redução do OPEX e a formalização da política de remuneração para 2027. O mercado monitorará, em paralelo, as deliberações da agência reguladora e os mecanismos de captação de recursos para financiar a expansão sem comprometer a geração de caixa livre.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.