O Governo do Estado de Minas Gerais aprovou, nesta terça-feira (11), o preço por ação da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA, CSMG3) em R$ 49,03 para a oferta pública de distribuição secundária. A operação, que deve movimentar aproximadamente R$ 8,39 bilhões (excluindo a opção por ações adicionais), marca um novo ciclo de capitalização e governança na estatal de saneamento, com início das negociações já na próxima semana.

Detalhes da operação e entrada da Equatorial

Conforme o Fato Relevante divulgado ao mercado, cerca de 114,07 milhões de ações foram alocadas à Gerais Saneamento S.A., braço de saneamento do grupo Equatorial (EQTL3), que assume oficialmente o papel de Investidor de Referência Selecionado. A definição do preço e a alocação estratégica consolidam a presença de capital privado de longo prazo na companhia, alinhando-se aos planos de expansão e eficiência do setor.

Simultaneamente à precificação, foi formalizado e arquivado na sede da empresa o novo Acordo de Acionistas entre o Estado de Minas Gerais, o novo investidor de referência e a própria COPASA. O documento estabelece as diretrizes de governança corporativa, mecanismos de resolução de conflitos e direitos preferenciais, modernizando a estrutura de controle da estatal.

Coordenadores e colocação internacional

A estruturação da oferta conta com um consórcio robusto de bancos de investimento. O BTG Pactual (B3P3) atua como coordenador líder, acompanhado por Itaú BBA (ITUB4), Bank of America Merrill Lynch, Citigroup e UBS BB. Além do mercado doméstico, haverá esforços coordenados de colocação no exterior, segmentados entre investidores institucionais qualificados nos Estados Unidos (via Rule 144A) e demais investidores internacionais fora dos EUA e Brasil (via Regulation S), respeitando as regras da CVM e do Banco Central.

Calendário e datas-chave

  • Aprovação do preço e registro: 11 de junho de 2026
  • Início da negociação na B3: 15 de junho de 2026
  • Liquidação física e financeira: 16 de junho de 2026

O que muda para investidores

É fundamental destacar que se trata de uma oferta de distribuição secundária, ou seja, o Estado de Minas Gerais é o vendedor dos papéis. Diferente de uma oferta primária, os recursos captados (R$ 8,39 bi) não entrarão como caixa novo no balanço da COPASA, mas sim nos cofres do Tesouro estadual. Para o mercado, os impactos práticos são:

  • Aumento de liquidez: A inserção de um grande volume de ações em circulação (float) tende a melhorar a profundidade do livro de ofertas da CSMG3, atraindo fundos estrangeiros e institucionais que exigem maior facilidade de entrada e saída.
  • Mudança na governança: A formalização do Acordo de Acionistas com a Equatorial (EQTL3) sinaliza um modelo de gestão híbrida e profissionalizada. Historicamente, o mercado reage de forma positiva a essa estrutura, pois ela costuma trazer metas de eficiência, redução de custos e previsibilidade operacional.
  • Estrutura de preço: A fixação em R$ 49,03 serve como âncora de valuation para o ativo no curto prazo. Investidores devem monitorar o desempenho pós-listagem e os eventuais gatilhos de over-allotment (exercício da opção de ações adicionais pelos coordenadores), que podem ajustar o volume final da operação.

Em resumo, a definição do preço e a assinatura do acordo de acionistas encerram a fase estruturante da oferta, preparando o terreno para a transição do papel para o pregão regular. O evento reforça o papel da B3 como plataforma de desestatização e modernização do setor de infraestrutura básica no Brasil.

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