A ação da Copasa (CSMG3) encerrou a sessão de 25 de abril com queda de 4,20% (R$ 54,77 por papel), apesar de registrar lucro líquido de R$ 337 milhões no trimestre — 23,9% superior ao mesmo período do ano anterior. O movimento contrastante revela uma divergência entre os números operacionais robustos e as expectativas do mercado em relação ao processo de privatização, que continua sendo o grande catalisador para o papel, que acumula valorização de 26% em 2025.

Evolução dos principais indicadores financeiros

Indicador1T25Variação anual
Lucro líquidoR$ 337 milhões+23,9%
EBITDAR$ 731 milhões+14,1%
Receita líquidaR$ 1,9 bilhão+6,9%

O crescimento do EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) destaca a eficiência operacional da companhia, com diluição de custos e aumento da receita média por metro cúbico de água tratada. A alíquota efetiva de IR/CSLL caiu para 9,6%, influenciada pela declaração de JCP (Juros sobre Capital Próprio), mecanismo que otimizou a carga tributária.

Análise dos custos operacionais

Apesar do aumento de 3,0% nos custos e despesas totais (R$ 1,1 bilhão), a Copasa conseguiu diluir custos fixos e reduzir o quadro de funcionários em 1,8%. As despesas com pessoal cresceram 4,9% (R$ 442,6 milhões), pressionadas por reajustes salariais e benefícios como plano de saúde, mas a gestão atribuiu a expansão a renegociações de ACTs (Acordos Coletivos de Trabalho) nos anos de 2024 e 2025.

Visão dos analistas

O Itaú BBA manteve recomendação de compra para o papel, com preço-alvo em R$ 55,90, destacando a correlação direta entre o Ebitda recorrente e os avanços no processo de privatização. Já a XP reforçou seu otimismo ao manter rating positivo e valor-alvo em R$ 53,60, embasando sua visão em uma TIR real de 8,6% — um dos diferenciais para atrair investidores institucionais.

"Os investidores estão recalibrando o valor de uma Copasa privatizada, considerando ganhos de eficiência históricos e fluxo de caixa previsível", destaca análise da XP

O que isso significa para o investidor

Investidores brasileiros devem observar dois fatores principais: 1) a concretização do processo de privatização (prevista para H1/2026) pode redefinir o múltiplo P/Livre atribuído à empresa, considerando sua posição no setor de saneamento básico; 2) o impacto da Selic projetada em 7,5% para 2025 e o efeito cambial nos custos de dívida atrelada a moeda estrangeira. A volatilidade do papel demonstra que o mercado ainda precifica incertezas políticas, apesar dos ganhos operacionais comprovados.

Riscos ao cenário

  • Atrasos no processo de privatização devido a mudanças na gestão estadual
  • Novos aumentos de despesas financeiras em ambiente de juros persistentes
  • Resistência da Arsae-MG em homologar reajustes tarifários acima de 6,4%

Perspectiva e Próximos Passos

A agenda regulatória dos próximos 18 meses será crucial, com a expectativa de que a Assembleia Legislativa de Minas Gerais vote o projeto de privatização formalmente no quarto trimestre de 2025. Até lá, os investidores monitorarão métricas operacionais, especialmente a redução das perdas de água (atualmente em 32,4%, com meta sub-30%), que pode impactar futuros aumentos de capital.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.