As ações da CSN (CSNA3) registraram queda acentuada de 14,45%, cotadas a R$ 6,10 no fechamento, enquanto a CSN Mineração (CMIN3) limitou o recuo a 3,85%, para R$ 4,99, após a divulgação dos balanços do quarto trimestre de 2025 (4T25). Essa divergência reflete reações distintas do mercado aos números operacionais e financeiros das companhias.

Desempenho inicial das ações

CMIN3 chegou a avançar no começo do pregão, mas acabou afetada pelo humor negativo geral da Bolsa, que viu o Ibovespa perder mais de 2% e romper os 180 mil pontos. O JPMorgan apontou que o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) superior às projeções ficou em segundo plano diante da geração negativa de fluxo de caixa livre (FCF, na sigla em inglês).

EBITDA por divisão na CSN

O EBITDA consolidado da CSN alcançou R$ 3,0 bilhões, superando em 1,8% a estimativa do JPMorgan e em 10% o consenso da Bloomberg. Na CSN Mineração, o indicador foi de R$ 1,8 bilhão, 6,4% acima da projeção do banco, beneficiado por volumes de embarque elevados e preços mais altos. A divisão de cimento gerou R$ 368 milhões (4,1% acima), graças a preços maiores, e a logística, R$ 509 milhões (1% superior). No aço, o resultado ficou 1,6% abaixo, por custos 5,4% maiores, com margens de 7,4% (queda de 1 ponto percentual ante trimestre anterior). Energia reportou R$ 32 milhões, 31,9% aquém.

DivisãoEBITDA (R$ milhões)Vs. JPMorgan
Mineração1.800+6,4%
Cimento368+4,1%
Logística509+1%
Aço--1,6%
Energia32-31,9%
Consolidado3.000+1,8%

Fluxo de caixa e alavancagem

O FCF da CSN foi negativo em R$ 712 milhões, e o da CSN Mineração, em R$ 3,0 bilhões, pressionados por capital de giro e investimentos (capex). A dívida líquida subiu para R$ 41,2 bilhões (10% ante trimestre anterior), por FCF negativo, pagamentos antecipados, câmbio adverso e itens como MRS. A alavancagem (relação dívida líquida/EBITDA) alcançou 3,5 vezes (de 3,1 vezes no 3T25), acima do alvo de 3 vezes, segundo Genial, apesar de EBITDA de R$ 3,3 bilhões.

CSN Mineração em detalhes

A XP destacou resultados sólidos, com embarques acima e superação do guidance anual de produção, apesar de preços realizados de US$ 63,3/t. O Bradesco BBI notou produção de 11,8 milhões de toneladas (7% acima de igual período anterior), recorde para 4T. Morgan Stanley atribuiu o resultado acima do esperado a operações melhores, ganhos com variações monetárias/cambiais e alíquota de imposto menor.

Recomendações de analistas

O Itaú BBA viu o EBITDA da CSN 11% acima de sua projeção de R$ 2,7 bilhões, impulsionado pela mineração. XP apontou pressão no aço, mas resiliência no cimento e melhora nos custos de placas. Genial enfatizou sensibilidade à alavancagem na equity story (narrativa de valor para acionistas). BBI vê potencial de caixa com preços de minério, mas alívio depende de desinvestimentos.

InstituiçãoCSNA3CMIN3
JPMorganNeutra (R$ 9)Venda
Itaú BBANeutra (R$ 9,50)-
Bradesco BBINeutra (R$ 9)-
GenialSob revisãoNeutra (R$ 6)
Morgan Stanley-Underweight (R$ 5,50)
XPNeutra-

O que isso significa para o investidor

Para o investidor pessoa física, os números expõem tensão entre operações fortes na mineração e pressões financeiras. Em cenário otimista, preços firmes de minério de ferro sustentam receitas, com possível melhora em custos de aço beneficiando margens futuras, especialmente se o câmbio favorecer exportações. No pessimista, Selic elevada agrava custo da dívida, e FCF fraco atrasa desalavancagem, num contexto de Ibovespa sensível a juros e commodities. Fatores como execução de monetizações de ativos e volumes de produção serão cruciais para monitoramento.

Riscos

  • Fluxo de caixa livre negativo persistente, consumindo caixa em capex e giro.
  • Alavancagem em 3,5x, distante do alvo de 3x, sensível a juros altos como Selic atual.
  • Pressões de custo no aço, com margens em 7,4% e volumes sazonalmente fracos.
  • Dívida líquida em R$ 41,2 bilhões, impactada por câmbio e operações específicas.
  • Dependência de desinvestimentos para equilíbrio patrimonial.

Adiante, acompanhe avanços na agenda de desinvestimentos da CSN, dinâmica de preços do minério de ferro e resultados operacionais no 1T26, que testarão a capacidade de reversão do FCF e redução da alavancagem em ambiente de juros elevados.