O Conselho de Administração da Dexco (DXCO3) aprovou uma baixa contábil não recorrente de cerca de R$ 190 milhões, com impacto negativo no Ebitda do terceiro trimestre de 2026, conforme comunicado ao mercado divulgado na noite de quarta-feira (28). O dado que organiza a leitura está na composição: R$ 172 milhões, a fatia dominante do total, saem da Divisão de Metais e Louças. O balanço com o detalhamento chega em 4 de novembro de 2026.
De onde saem os R$ 190 milhões
A companhia — dona de marcas como Deca, Portinari, Hydra, Duratex e Castelatto — distribuiu o valor em três frentes, e a concentração em uma única divisão é o ponto que sobressai:
| Frente | Valor | Origem contábil |
|---|---|---|
| Divisão de Metais e Louças | R$ 172 milhões | Ativos imobilizados e estoques remanescentes |
| Divisão de Revestimentos Cerâmicos | R$ 8 milhões | Encerramento da planta de Urussanga (SC) |
| Ajustes não recorrentes, líquidos | R$ 10 milhões | Portfólio e ativos não operacionais |
| Total | R$ 190 milhões | — |
A maior fatia acompanha o redesenho da estrutura fabril da divisão de metais e louças. Ativos imobilizados são os bens físicos empregados na produção — máquinas, equipamentos, instalações — que deixam de valer, no balanço, o que valiam antes. Já os estoques remanescentes são itens parados cuja avaliação passou a ficar abaixo do custo de registro.
Baixa contábil não é saída de caixa — mas mexe no Ebitda
Baixa contábil é o reconhecimento, no resultado, de que um ativo vale menos do que está escriturado. A Dexco informou que os R$ 190 milhões não envolvem desembolso: nenhum real deixa o caixa da companhia, e não há pagamento a fornecedor, multa ou indenização embutidos no número.
O efeito aparece em outra linha. O Ebitda — sigla de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, métrica que o mercado usa como retrato da geração operacional — do 3T26 será reduzido em cerca de R$ 190 milhões por um evento que a empresa classifica como fora do curso normal. Daí a importância do rótulo não recorrente: ele separa o que a administração considera pontual do que se repete a cada trimestre, e é essa distinção que sustenta comparações entre períodos.
A questão que sobra para o investidor é de qualidade do resultado, não de liquidez. Baixas que se sucedem, ainda que sem tocar o caixa, tendem a fragilizar o argumento de evento isolado — e o mercado costuma testar a consistência desse rótulo ao longo de vários balanços, não de um apenas.
O que a concentração em Metais e Louças revela
Dos três blocos, o mais informativo é o menor deles. Os R$ 8 milhões de Revestimentos Cerâmicos são o único componente que deriva de uma decisão física — uma unidade industrial que deixa de operar —, e não de reavaliação de ativos. O valor é pequeno diante do total, mas o sinal é operacional: parte do ajuste nasce de capacidade produtiva desativada, não de julgamento contábil.
Os outros dois blocos têm natureza distinta. Tanto os R$ 172 milhões de Metais e Louças quanto os R$ 10 milhões de ajustes líquidos em portfólio e ativos não operacionais tratam de valorização de ativos, não de atividade corrente. A diferença importa para quem acompanha a companhia: reavaliações dependem de critério contábil e de premissas revisáveis, enquanto o encerramento de uma planta altera a base de custos dos trimestres seguintes.
O que conferir no balanço de 4 de novembro
A empresa afirmou que os eventos serão destrinchados nas notas explicativas que acompanham as demonstrações financeiras do 3T26, previstas para 4 de novembro de 2026. Quatro pontos concentram a atenção nessa data:
- a abertura das baixas por tipo de ativo, separando imobilizado de estoque;
- o valor final, já que o total comunicado é aproximado;
- a linha exata do resultado em que o impacto aparece e como ele transita no Ebitda;
- a redação da nota sobre recorrência, que sustenta — ou desmonta — o rótulo usado no comunicado.
Até lá, o dado consolidado é o de R$ 190 milhões em baixas, sem efeito caixa, concentrados em uma divisão. Para quem acompanha DXCO3, o número não mexe na disponibilidade de caixa; mexe no resultado que servirá de base para a comparação com os trimestres anteriores e para as métricas de alavancagem calculadas pelo mercado.
