O dólar fechou a segunda-feira em R$5,1693, 0,14% de queda, atingindo o menor patamar desde 28 de maio de 2024. A valorização do real ocorreu em um contexto de juros brasileiros acima de 12% e fluxo cambial impulsionado por exportadores, enquanto tensões comerciais globais mantinham a volatilidade nos mercados internacionais.

Pressões externas e ação do Banco Central

A dinâmica global influenciou o comportamento da moeda brasileira. A expectativa de prolongamento do ciclo de juros no Brasil, com Selic projetada a 12,13% ao ano para 2026, contrasta com a faixa de 3,50% a 3,75% nos EUA, atraindo capital estrangeiro ao país. No entanto, o BC optou por não rolar integralmente os 750.000 contratos de swap que vencem em março, mantendo 725.000 até sexta-feira passada.

InstrumentoValorVariação
Dólar à vistaR$5,1693-0,14%
Dólar futuro (B3 - mar/25)R$5,1750-0,21%
Dólar comercialR$5,167-

Real valorizado ante pressões comerciais de Trump

O presidente norte-americano Donald Trump elevou as tarifas temporárias sobre importações de 10% para 15%, o limite legal máximo, criando ambiente de cautela. O movimento, vindo após o revogação de um programa tarifário anterior pela Suprema Corte dos EUA, gerou volatilidade em divisas emergentes, mas não revertou o movimento de valorização do real durante a maior parte do pregão.

"O real se valorizou fortemente contra o dólar quando a cotação atingiu R$5,1392, mas houve realização de ganhos na curva cambial", observou Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora. O dólar chegou a subir a R$5,1919 (+0,30%) às 9h26, mas cedeu terreno ao longo da sessão.

O que isso significa para o investidor

O ambiente atual reflete duas dinâmicas contraditórias: juros elevados no Brasil sustentam o real, mas as incertezas com a política comercial dos EUA e a tensão geopolítica no Oriente Médio (EUA vs Irã) limitam a apreciação do real. O investidor deve monitorar a evolução do diferencial Selic-Fed Funds, o comportamento do Banco Central no mercado cambial e o fluxo de exportações brasileiras de commodities, que tende a aumentar o supply de dólares no varejo.

Com a projeção do dólar futuro para 2026 ajustando-se de R$5,50 para R$5,45, as expectativas continuam favoráveis para ativos denominados em real, especialmente em um cenário de inflação doméstica controlada. Contudo, o agravamento das tensões comerciais entre EUA e China, somado ao risco de novas tarifas específicas sobre setores industriais, pode gerar reversão pontual.

Riscos para o cenário

  • Escalada da guerra comercial com tarifas além de 15% nos EUA
  • Agravamento da tensão EUA-Irã com interrupção no transporte de petróleo
  • Desaceleração do fluxo de recepção de dólares por exportadores
  • Redução de juros Selic em ritmo mais rápido que o esperado

As operações de swaps cambiais em março, com vencimento em 02/03, devem ser acompanhadas de perto. O Banco Central tem margem para reduzir intervenções, mas mantém seu arsenal operativo disponível caso haja volatilidade exacerbada.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.