O dólar comercial caiu para R$ 5,1247 na quarta-feira, seu nível mais baixo desde 21 de maio de 2024, registrando queda de 0,60% frente ao real. A desvalorização ocorreu simultaneamente à fraqueza da moeda norte-americana no exterior e à divulgação de dados fiscais e pesquisas eleitorais domésticas.
Volatilidade no câmbio
A divisa opera em trajetória descendente há três pregões consecutivos. O contrato futuro de março, negociado na B3, retrocedeu 0,70% para R$ 5,1265, mantendo-se alinhado à redução observada no mercado à vista. Este é o menor preço do par USD/BRL desde o fechamento de 21 de maio do ano passado, quando estava em R$ 5,1163.
| Data | Cotação | Variação |
|---|---|---|
| 25/02/2026 | R$ 5,1247 | -0,60% |
| 21/05/2024 | R$ 5,1163 | Fechar anterior |
Cenário fiscal e credibilidade
O Tesouro Nacional revelou um resultado fiscal positivo em janeiro, com superávit primário de R$ 86,9 bilhões. Apesar de ser 2,2% inferior ao esperado pelo mercado, o desempenho reflete receitas líquidas elevadas em 1,2% e despesas crescentes em 2,9%.
| Indicador | Valor | Variação |
|---|---|---|
| Superávit Primário | R$ 86,9 bi | 2,2% menos que previsão |
| Receitas Líquidas | R$ 272,785 bi | +1,2% vs jan/24 |
| Despesas Totais | R$ 185,885 bi | +2,9% vs jan/24 |
Crédito recua intensamente
O Banco Central divulgou contração dos empréstimos no início de 2026, com recuo de 18,9% nas concessões ante dezembro. O balanço inclui redução no estoque de crédito de 0,2% em janeiro, que agora totaliza R$7,116 trilhões.
| Métrica | Janeiro 2026 | % Variação |
|---|---|---|
| Concessões | -18,9% | Mês anterior |
| Estoque | R$ 7,116 trilhões | -0,2% vs dez/25 |
Incógnitas eleitorais
A pesquisa Atlas apontou cenário polarizado para o segundo turno da eleição presidencial de outubro, com Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas numericamente à frente de Lula, embora ainda em empate estatístico. A instabilidade política permanece fator de incerteza para decisores macroeconômicos e investidores estrangeiros.
Balanço eleitoral:
- Lula lidera 1º turno
- Flávio Bolsonaro tem 47,5% de rejeição
- Tarcísio de Freitas tem 44,9% de rejeição
O que isso significa para o investidor
O movimento descendente do dólar pode indicar confiança renovada no cenário doméstico, mas permanece exposto ao risco de reversão com a imprevisibilidade eleitoral. O resultado fiscal positivo de janeiro sugere disciplina fiscal, essencial para manter o controle inflacionário sob juros altos.
O recuo do crédito é um dado ambíguo: pode refletir menor demanda por financiamentos em contexto de juros elevados (atual Selic em 10,75%) ou uma desaceleração econômica que precisa ser monitorada nos próximos meses.
Riscos para o cenário
- Possível aumento de pressões inflacionárias com redução de crédito
- Diferencial de juros Brasil-EUA que ainda pode atrair capital
- Polarização eleitoral que pode desestabilizar mercados
- Volatilidade cambial associada ao FED e commodities
Perspectiva e próximos passos
Investidores devem ficar atentos ao desempenho do dólar no contexto internacional nas próximas semanas, especialmente após decisão de política cambial do Federal Reserve. No calendário doméstico, as próximas pesquisas eleitorais e dados do PIB (Produto Interno Bruto) de janeiro serão catalisadores importantes.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
