O dólar comercial registra alta de 0,25% nesta quinta-feira, negociado a R$ 5,172 na venda às 9h10, em meio à surpresa com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de fevereiro, que avançou 0,70% contra expectativa de 0,65%, e à escalada de tensões no Oriente Médio com ataques a petroleiros no Golfo Pérsico, que impulsionaram os preços do petróleo para além de US$ 100 por barril.

Cotação do Dólar Comercial e Futuro

No mercado à vista, a moeda norte-americana apresentava valorização de 0,25% às 9h10, alcançando R$ 5,172 na venda e R$ 5,171 na compra. Na B3 (Bolsa de Valores brasileira), o contrato de dólar futuro para abril, o mais negociado no momento, subia 0,24%, cotado a R$ 5,193. Esses movimentos refletem a pressão do cenário externo, com o dólar se fortalecendo contra diversas moedas de países emergentes.

ContratoCompra (R$)Venda (R$)Variação (%)
Dólar comercial5,1715,172+0,25
Dólar à vista (9h10)-5,172+0,25
Dólar futuro abril (B3)-5,193+0,24

Leilão de Swap Cambial pelo Banco Central

Às 11h30, o Banco Central oferece 50.000 contratos de swap cambial tradicional — instrumento derivativo usado para rolar posições de exposição ao câmbio sem movimentação física de dólares — referente à rolagem do vencimento previsto para 1º de abril. Essa operação visa atender à demanda do mercado por hedge cambial em um contexto de volatilidade crescente.

Tensões no Oriente Médio e Petróleo em Alta

Ataques recentes a petroleiros no Golfo Pérsico eliminaram esperanças de desmobilização rápida do conflito na região, resultando em preços do petróleo saltando para mais de US$ 100 por barril. Esse movimento desencadeou busca por ativos de proteção, favorecendo o fortalecimento do dólar globalmente, especialmente contra divisas de emergentes como o real.

IPCA de Fevereiro Supera Projeções

O IPCA registrou elevação de 0,70% em fevereiro na comparação com janeiro, quando havia subido 0,33%. No acumulado de 12 meses, o índice alcançou 3,81%. As estimativas compiladas pela Reuters apontavam para 0,65% no mês e 3,77% em 12 meses, configurando uma surpresa altista que reforça pressões inflacionárias domésticas.

PeríodoRealizado (%)Expectativa Reuters (%)
Janeiro (mensal)0,33-
Fevereiro (mensal)0,700,65
12 meses (fevereiro)3,813,77

O que isso significa para o investidor

Para o investidor pessoa física brasileiro, o câmbio mais alto encarece importações e viagens internacionais, ao mesmo tempo em que beneficia exportadores e rende mais em aplicações atreladas ao dólar. No cenário macro, o IPCA acima do projetado pode elevar expectativas para a Selic (taxa básica de juros), mantendo o juro real elevado e pressionando o custo de capital. Externamente, o dólar forte contra emergentes sugere fluxo para ativos seguros, mas uma eventual distensão no Oriente Médio poderia reverter parte da alta. Cenário otimista envolve controle inflacionário e queda no petróleo; pessimista, com prolongamento do conflito e inflação persistente, ampliaria volatilidade no Ibovespa e no câmbio.

Riscos

A fonte destaca riscos associados à instabilidade geopolítica e à inflação:

  • Escalada do conflito no Oriente Médio, com potencial para manter petróleo acima de US$ 100/barril, elevando custos energéticos e inflacionários importados.
  • IPCA mais alto que o esperado, podendo alterar trajetória de juros no Brasil e pressionar o real em um ambiente de aversão a emergentes.
  • Volatilidade no mercado de derivativos cambiais, influenciada pela rolagem de swaps em abril.

Operadores monitoram o leilão de swaps às 11h30 e a evolução dos ataques no Golfo Pérsico, além de indicadores globais de commodities e fluxos para países emergentes. A rolagem do vencimento de 1º de abril pelo Banco Central surge como catalisador imediato de liquidez cambial.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.