O dólar comercializou em R$ 5,19 na tarde de segunda-feira (2), com pico de R$ 5,21 após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã. A cotação repete padrão do início de 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia gerou volatilidade global, mas especialistas destacam que o real pode valorizar caso o aumento do petróleo persista.

Projeções de analistas

BancoPrevisão 2024Previsão 2025
Itaú UnibancoR$ 5,40R$ 5,60
Banco PineR$ 5,00 (potencial de queda)-
Cultura CapitalR$ 5,25-R$ 5,40 (curto prazo)-
Gabriel Uarian (Cultura Capital): 'Projetamos R$ 5,25-R$ 5,40 na abertura considerando aversão a risco. O movimento depende diretamente da evolução do conflito e da reação das commodities.'

Repescagem do cenário 2022

Robin Brooks, ex-Chefe do IIF, lembra que a depreciação inicial do real em contextos de crise tende a se reverter quando exportadores de commodities se beneficiam. Após a invasão da Ucrânia, o real liderou valorizações globais com +18% no primeiro trimestre de 2022, recuperando de R$ 5,575 para R$ 4,608 em dois meses. 'O mecanismo de termos de troca favorece economias como a brasileira', afirma.

Impacto do petróleo no real

Dan Kawa (economista) aponta que por cada +10% no barril de petróleo, importadores perdem 0,8% do PIB, enquanto exportadores como Brasil e Rússia ganham. Fernando Ferreira (XP) complementa: 'A aversão a risco eleva temporariamente o dólar, mas exportadores de commodities reavaliam suas moedas com preços altos'. A Petrobras (PETR4) viu suas ações da PetroReconcavo (RNEW3) serem destacadas pelo Bradesco BBI como beneficiadas diretas da instabilidade.

O que isso significa para o investidor

Dois cenários se desenham para a B3 em 2024: (i) Manutenção de alta do petróleo acima de US$ 85/barril sustentaria valorização do real para R$ 5,00; (ii) Escalada do conflito e volatilidade prolongada limitariam a desvalorização para R$ 5,40. O fluxo de investimentos estrangeiros, que atingiu R$ 42 bilhões em janeiro de 2024, e a Selic em 13,75% são fatores de suporte.

Riscos citados por analistas

  • Choques na cadeia de suprimentos por interrupções no Estreito de Ormuz
  • Instabilidade eleitoral no Brasil em 2026, já antecipando prêmio de risco
  • Reversão do ciclo do petróleo por acomodação da demanda global

Investidores devem atentar à ata do Copom (31/1) e ao movimento dos ETFs globais em janeiro. O Banco Central do Brasil mantém postura intervencionista apenas se a volatilidade ameaçar o controle da inflação de 10,2% (IPCA dezembro/2023).

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.