O dólar à vista fechou em queda de 0,27% nesta terça-feira, cotado a R$5,1556, menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, impulsionado por entrada de capital estrangeiro e movimento global de valorização de emergentes. O Ibovespa acompanhou a tendência positiva, ultrapassando os 191 mil pontos na sessão.
Volatilidade interna do dólar
Durante a sessão, a moeda norte-americana registrou oscilação de 0,83%, atingindo máxima de R$5,1859 às 9h47 — antes da abertura da B3 — e mínima de R$5,1428 às 13h12, quando o desempenho positivo da bolsa brasileira atraiu estrangeiros. A dinâmica reforça a relação inversa entre fluxo cambial e desempenho do mercado acionário local.
| Movimento da sessão | Valor (R$) | Horário |
|---|---|---|
| Máx. intraday | 5,1859 | 09h47 |
| Data fechamento | 5,1556 | 17h04 |
| Mín. intraday | 5,1428 | 13h12 |
Contexto externo pressiona dólar
O recuo do dólar ante moedas emergentes como peso chileno, mexicano e rand sul-africano reflete redução de demanda por abrigo seguro nos EUA. Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos, destacou: "Tem muito capital estrangeiro entrando no Brasil, o que acaba favorecendo o real em relação ao dólar". Em paralelo, os EUA implementaram nova tarifa de 10% sobre produtos não isentos, inferior aos 15% inicialmente prometidos, gerando cautela no mercado.
Balança de pagamentos
O Banco Central revelou déficit recorde nas transações correntes de US$8,36 bilhões em janeiro, superando expectativa de US$6,4 bilhões na pesquisa Reuters. Os investimentos diretos no país (IDPs) somaram US$8,168 bilhões, acima da projeção de US$7 bilhões, mas insuficientes para compensar o déficit. Para comparação, em janeiro de 2025, o rombo foi de US$9,809 bilhões com IDPs de US$6,708 bilhões.
| Indicador | Jan/2025 | Jan/2026 | Projeção |
|---|---|---|---|
| Déficit em transações correntes | US$9,809bi | US$8,36bi | US$6,4bi |
| Investimentos diretos no país | US$6,708bi | US$8,168bi | US$7bi |
O que isso significa para o investidor
A valorização do real reduz custos de importação e alivia pressões inflacionárias, sustentando cenário favorável à manutenção da Selic em patamar baixo e potencial queda futura. Investidores devem observar a relação entre entrada de capital estrangeiro e estabilidade do dólar, mas é crucial acompanhar desdobramentos macroeconômicos globais.
Riscos do atual cenário
- Possíveis ajustes nas tarifas dos EUA e seus efeitos sobre o comércio global
- Reversão do fluxo de capital em cenário menos favorável ao risco
- Elevação dos juros norte-americanos em meio a incertezas comerciais
- Impacto do maior déficit corrente sobre credibilidade fiscal local
Perspectiva e próximos passos
A agenda doméstica inclui divulgação de dados de inflação em fevereiro e decisão do Copom no início de março. No exterior, o discurso do Estado da União de Donald Trump traz indícios sobre política comercial e relações internacionais. O comportamento do dólar futuro em R$5,1630 e os próximos fluxos internacionais serão cruciais para avaliar sustentabilidade da valorização do real.
