A moeda norte-americana reverteu trajetória e fechou com valorização de 0,28% frente ao real, cotada a R$5,1392 no mercado spot e R$5,1410 no contrato futuro de março na B3. A alta ocorreu paralela à pressão sobre ativos emergentes no exterior e ganhou força com pesquisa eleitoral que apontou cenário incerto para disputa presidencial de outubro.

Cenário global e eleitoral moldam volatilidade

O movimento de recuperação do dólar frente ao real ocorre em contexto de valorização da moeda norte-americana contra divisas emergentes na cena internacional. O Ibovespa acompanhou o sentimento negativo, fechando em queda com forte desempenho de ações ligadas ao fluxo de capital estrangeiro nos últimos meses.

A pesquisa AtlasIntel divulgada na véspera revelou que 47,5% dos entrevistados consideram a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva o maior risco eleitoral, enquanto 44,9% veem com desconfiança a vitória de Flávio Bolsonaro. Em simulações de segundo turno, o presidente mantém liderança numérica frente a adversários, mas dentro da margem de erro estatístico.

DataCotação R$ (compra)Variação diária
24/025,1250-0,21% (mínima desde 21/05/24)
25/025,1392+0,28% (reversão)

Contratos futuros indicam cautela

O vencimento março do dólar futuro registrou alta de 0,25% na B3 às 17h03, situando-se 5 pontos base acima do spot. O spread entre os mercados reflete expectativas de volatilidade elevada nos próximos meses, período que antecede a definição do cenário político eleitoral e a divulgação de novas pesquisas qualitativas.

O que isso significa para o investidor

A interdependência entre câmbio, Bolsa e narrativas eleitorais exige atenção redobrada de investidores PF. O recente fluxo de capital estrangeiro, responsável por 17% das entradas no Ibovespa em fevereiro segundo dados não oficiais, mostra-se sensível a indicadores de estabilidade política. Oscilações do dólar afetam diretamente carteiras de ações exportoras e setores capital-intensivos, enquanto pressionam custos para empresas exportadoras.

Riscos de curto prazo

  • Ampliação da tensão nas pesquisas eleitorais
  • Suavização do Federal Reserve nas projeções de juros nos EUA
  • Intensificação da aversão a risco global

Próximos passos para monitoramento

Investidores devem acompanhar de perto a divulgação do relatório mensal do Banco Central sobre reservas internacionais (até dia 5/3), a nova sondagem eleitoral Ibope no formato de primeiro turno (prevista para 10/3) e a evolução do diferencial Selic-Over de 3,39% atual para os 12,25% projetados no ciclo atual de aperto monetário.