O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil avançou 2,3% em 2025, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas analistas antecipam desaceleração para 2026, com expansão entre 1,8% e 2,3%, influenciada por instabilidades externas e disputa presidencial acirrada.

Projeções de expansão econômica em 2026

A visão consensual aponta para vigor inicial no primeiro semestre de 2026, puxado pela safra agrícola e ações governamentais de estímulo, seguido de arrefecimento na segunda metade, similar ao ocorrido em 2025. Especialistas como Antonio Ricciardi, do Banco Daycoval, projetam 1,9% de crescimento do PIB, enquanto Andrés Abadía, da Pantheon Macroeconomics, e Rafael Perez, da Suno Research, estimam 1,8%. O Ministério da Fazenda diverge, com 2,3%.

Instituição/AnalistaProjeção PIB 2026 (%)
Banco Daycoval (Antonio Ricciardi)1,9
Pantheon Macroeconomics (Andrés Abadía)1,8
Suno Research (Rafael Perez)1,8
Ministério da Fazenda2,3

Conflito no Oriente Médio pressiona commodities

Os recentes ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã intensificam temores de interrupção no fornecimento de petróleo e gás, afetando fluxos globais. O petróleo tipo Brent registrou alta de cerca de 7%, negociado a US$ 83,44 por barril nesta terça-feira, após atingir US$ 85,12, maior patamar desde julho de 2024. Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, observa que o Brasil pode ganhar com exportações ampliadas de soja, carnes e óleo combustível, favorecido por câmbio desvalorizado, beneficiando a balança comercial.

No entanto, persistência acima de US$ 95 por barril demandaria interrupção superior a quatro semanas no Estreito de Ormuz (principal rota de escoamento de petróleo no Golfo Pérsico), elevando custos internos de combustíveis e inflação.

Política monetária e ciclo de afrouxamento

O Banco Central manteve a Selic (taxa básica de juros) em 15% em janeiro, com expectativas de início de reduções na reunião de 17 e 18 de março. Geopolítica impõe parcimônia, podendo retardar o ritmo de cortes e preservar juros elevados por mais tempo.

Ano eleitoral concentrará estímulos

Governo planeja medidas como isenção de Imposto de Renda para rendas até R$ 5 mil mensais no início de 2026, impulsionando consumo. Pesquisas indicam empate técnico entre presidente Luiz Inácio Lula da Silva e senador Flávio Bolsonaro em simulação de segundo turno, fomentando 'efeito espera' no último trimestre, com adiamento de decisões econômicas.

O que isso significa para o investidor

Desaceleração do PIB para faixas inferiores a 2% sinaliza ambiente de menor dinamismo, com Selic persistindo acima do neutro inicialmente, favorecendo renda fixa atrelada ao CDI (taxa média de depósitos interbancários). Câmbio depreciado sustenta exportadoras, mas inflação sensível a petróleo exige monitoramento do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Cenário otimista depende de resolução rápida de conflitos e estímulos moderados; pessimista envolve escalada inflacionária e paralisia eleitoral, ampliando volatilidade no Ibovespa (principal índice da B3).

Riscos principais

  • Escalada no Oriente Médio, interrompendo suprimentos e elevando petróleo além de US$ 95.
  • Pressão inflacionária doméstica limitando cortes na Selic.
  • Polarização eleitoral gerando 'efeito espera' e adiamento de investimentos.
  • Cautela excessiva de consumidores, governo e Banco Central, freando consumo.

Investidores devem acompanhar reuniões do Banco Central a partir de 17 e 18 de março, evolução do conflito no Oriente Médio, divulgação de pesquisas eleitorais e indicadores mensais de atividade como o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central).