As ações da Embraer (EMBR3) despencaram cerca de 8% na sexta-feira após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025 e do guidance para 2026, liderando as perdas do Ibovespa, com Goldman Sachs, JPMorgan e XP Investimentos atualizando suas análises sobre o papel, que às 11h52 (horário de Brasília) recuava 1,48% a R$ 78,95.

Perspectiva do Goldman Sachs

O Goldman Sachs preservou otimismo com a Embraer, enfatizando a sólida demanda e o avanço na participação de mercado nos quatro segmentos operacionais da fabricante de aeronaves. Esse posicionamento respalda expansão de receita em dois dígitos no médio prazo, respaldada por um backlog (carteira de pedidos pendentes) elevado. A companhia demonstra evolução nas margens operacionais, com margem para ganhos adicionais, e progressos na geração de fluxo de caixa livre (FCF, medida do caixa gerado após despesas operacionais e investimentos). A combinação de vantagem competitiva, trajetória de crescimento estável e elevação no retorno sobre o capital investido torna o ativo atrativo, mesmo com a volatilidade recente, valendo 11,1 vezes o EV/EBITDA (valor da empresa dividido pelo EBITDA, lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) projetado para 2026. O banco confirmou indicação de compra, com preço-alvo de US$ 80 por ADR (recibo depositário americano, negociado na NYSE).

Análise do JPMorgan sobre tarifas e margens

O JPMorgan observou que o guidance para 2026 incorpora tarifas de importação de 10% nos Estados Unidos durante o ano inteiro, apesar da suspensão por ao menos 150 dias a partir de 24 de fevereiro. Sem essas tarifas, a margem EBIT (lucro antes de juros e impostos dividido pela receita líquida) poderia alcançar 9,6% a 10,1%, superando a faixa oficial de 8,7% a 9,3%. Desconsiderando impactos em estoques existentes, essa métrica recorrente subiria para 9,8% a 10,3% em 2026. Em 2025, as tarifas afetaram o EBIT em US$ 54 milhões (abril a dezembro), mais US$ 25 milhões em estoques, com dois terços incidentes em 2026 e um terço em 2027. A interrupção parcial das tarifas traria ganho aproximado de US$ 25 milhões, ou cerca de 30 pontos-base na margem operacional pelo ponto médio do guidance. Apesar da desvalorização de 14% na semana — contra 5% do Ibovespa —, as ações negociam a 9,9 vezes o EV/EBITDA de 2026, inferior a concorrentes como Airbus, Boeing e Bombardier. O banco manteve classificação overweight (alocação acima da média de mercado) e preço-alvo de US$ 80 por ADR, prevendo reavaliação positiva se as tarifas se mostrarem menos onerosas.

Impacto Tarifas EUAValor (US$ milhões)
EBIT 2025 (abr-dez)54
Estoques totais25
Benefício suspensão parcial25

Avaliação da XP Investimentos

A XP Investimentos notou que o guidance de 2026 ficou um pouco aquém das projeções do mercado, com EBIT no ponto médio de US$ 752 milhões, 6% abaixo do consenso. No entanto, alinha-se às estimativas próprias da casa: receita líquida entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões (ponto médio 4% inferior ao consenso, mas 1% superior às da XP), margem EBIT de 8,7% a 9,3% e FCF superior a US$ 200 milhões. A projeção pode revelar-se cautelosa, ao assumir tarifas de 10% nos EUA, criando oportunidade para margens mais altas sem elas. A Embraer mencionou esforços persistentes na cadeia de suprimentos para aproximar entregas do topo do intervalo guidance, com book-to-bill (razão entre novos pedidos e entregas) acima de 1 vez em 2026, sinalizando fluxo contínuo de contratos. As discussões na teleconferência reforçaram impulsionadores de médio prazo, como possíveis parcerias nos EUA ou na Índia evoluindo para pedidos concretos.

MétricaGuidance 2026 (ponto médio)vs Consensovs XP
EBIT (US$ milhões)752-6%Em linha
Receita (US$ bilhões)~8,35-4%+1%
FCF (US$ milhões)>200-Em linha

O que isso significa para o investidor

Para o investidor pessoa física brasileiro, o guidance conservador da Embraer expõe sensibilidade ao câmbio dólar-real, dado o foco em receitas em dólares, o que pode amplificar retornos em um cenário de dólar elevado, mas pressionar com apreciação do real. No contexto macro, com Selic em patamares restritivos e IPCA sob controle, múltiplos como EV/EBITDA abaixo de pares globais sugerem valuation descontado, mas exigem monitoramento de riscos comerciais. Cenário otimista envolve tarifas americanas zeradas elevando margens acima de 10% e book-to-bill forte impulsionando backlog; pessimista considera persistência de barreiras elevando custos em estoques e EBIT. Fatores como recompra de 10,9 milhões de ações para tesouraria sinalizam confiança da administração, mas o investidor deve ponderar exposição setorial à aviação, volátil a ciclos econômicos globais.

Riscos identificados

  • Manutenção ou elevação de tarifas de 10% nos EUA, impactando EBIT em US$ 54 milhões anuais e estoques em US$ 25 milhões ao longo de 2026-2027.
  • Desaceleração em entregas se cadeia de suprimentos falhar em sustentar o topo do guidance.
  • Conversão limitada de parcerias em pedidos firmes nos EUA ou Índia.

Adiante, acompanhe a evolução das tarifas americanas, o book-to-bill trimestral e atualizações sobre parcerias estratégicas, além do calendário de resultados do 4T25 e indicadores de entregas em 2026 para validar o potencial de reprecificação das ações.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.