A Eneva (ENEV3) anunciou ao mercado, nesta sexta-feira (27 de março de 2026), uma movimentação estratégica dupla que reforça seu reposicionamento no setor elétrico brasileiro. A companhia celebrou a venda da totalidade de sua participação na Pecém II Geração de Energia S.A. para a Diamante Geração de Energia, ao mesmo tempo em que garantiu direitos para a implantação de um novo terminal de GNL no Ceará.
A venda da UTE Porto do Pecém II
A operação de alienação envolve a usina termelétrica a carvão Porto do Pecém II, localizada no Ceará, com capacidade de 365 MW. O negócio foi fechado com um Enterprise Value (valor da firma) de R$ 872,3 milhões. Desse montante, subtrai-se a dívida líquida de R$ 186,3 milhões, resultando no valor líquido a ser ajustado até o fechamento da transação.
Além do valor principal, o contrato prevê uma parcela contingente (earn-out) de até R$ 149 milhões. Este bônus está condicionado ao sucesso na antecipação do início dos contratos de reserva de capacidade que a usina conquistou no leilão de 2026. A conclusão da venda ainda depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).
Foco em Gás Natural: O nascimento do Hub Ceará
Paralelamente à venda do ativo a carvão, a Eneva, por meio de sua subsidiária Jandaia Geração de Energia, obteve o direito de implantar um terminal de importação e regaseificação de Gás Natural Liquefeito (GNL) no Complexo Industrial do Pecém. Este terminal terá capacidade para movimentar até 14 milhões de m³/dia.
O objetivo central é a criação do Hub Ceará, que servirá para:
- Suprir as usinas Jandaia II e Jandaia III (1.199,4 MW de capacidade total).
- Garantir o combustível para os contratos de 15 anos vencidos no Leilão de Reserva de Capacidade de 2026.
- Expandir a comercialização de gás natural para outros clientes industriais na região.
O que muda para investidores
Para o acionista da Eneva (ENEV3), os anúncios sinalizam a execução clara do Planejamento Estratégico da empresa. A troca de um ativo de carvão (combustível fóssil mais poluente) por uma infraestrutura robusta de gás natural e GNL alinha a companhia às tendências de transição energética e descarbonização.
Financeiramente, a venda traz fôlego ao caixa para suportar os investimentos nas novas térmicas Jandaia, enquanto o terminal de GNL confere flexibilidade operacional. A Eneva deixa de ser apenas uma geradora para se consolidar como uma plataforma integrada de energia e logística de gás no Nordeste, otimizando a rentabilidade dos novos contratos de reserva de potência que se iniciam em 2029 e 2031.
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