A migração do curso de Enfermagem para o formato presencial — determinada pelo novo marco regulatório do ensino a distância, cuja implementação integral está prevista para 2027 — já reposicionou a oferta das instituições privadas de ensino superior. O mapeamento da XP identificou 391 localidades com captação de alunos aberta nessa área, e 168 delas pertencem à Cogna, o equivalente a 43% de toda a amostra.

A concentração vem da via acelerada de aprovação de polos criada pela regra de transição. A Cogna teve 113 polos liberados por esse caminho e só retomou a captação de novos alunos de Enfermagem no terceiro trimestre de 2026, cerca de um ano depois de suspender as admissões no antigo formato híbrido. Na avaliação da XP, a companhia aparece à frente das rivais nessa transição.

113 polos liberados e metade deles já com turmas

Do total aprovado pela via acelerada, 57 abriram turmas no primeiro ciclo de captação — metade da base liberada. O ticket médio mensal praticado nessas localidades gira em torno de R$ 700. Antes da retomada, a Cogna havia interrompido novas admissões na modalidade híbrida, movimento que agora começa a ser revertido com a oferta presencial.

Até R$ 24 milhões no 2S26, perto de 1% da receita do ensino superior

A XP projeta receita incremental de até R$ 24 milhões no segundo semestre de 2026, montante que equivale a aproximadamente 1% do faturamento da divisão de ensino superior. Na visão da casa, o volume matriculado nesta primeira fase não deve ter peso decisivo, porque o ciclo de matrículas mais relevante está marcado para 2027. A Cogna usa o período, segundo a XP, para medir demanda e elasticidade de preços — o quanto o aluno reage a mudanças de mensalidade — em cada região. As demais companhias ainda não iniciaram captação nos polos que liberaram, o que faz do momento atual uma leitura preliminar da dinâmica do setor.

Fora da via acelerada: 223 localidades e três rivais de peso

A disputa por alunos não se restringe aos polos aprovados pela via acelerada. Quem já oferecia Enfermagem presencialmente continua captando sem depender do novo rito de aprovação. Sem contar a Cogna, a XP mapeou 223 localidades abertas, com Yduqs (YDUQ3), Ser Educacional (SEER3) e Cruzeiro do Sul (CSED3) entre as instituições com maior presença.

Vitru adia a captação para 2027; Yduqs deixa R$ 50 milhões para trás

A Vitru (VTRU3) tem 36 polos aprovados, mas planeja iniciar a captação nessas unidades apenas no primeiro semestre de 2027, quando o mercado entra em seu ciclo principal. Até lá, segue ofertando pela estrutura presencial que já mantém. A XP calcula que a interrupção na captação de Enfermagem custe 0,9% da receita da companhia em 2026.

Na Yduqs, a ausência do processo acelerado se explica, em parte, pela entrada tardia no curso híbrido de Enfermagem, no segundo semestre de 2024. A base de alunos atingida é pequena em proporção: a XP projeta R$ 50 milhões de receita não realizada em 2026, cerca de 1% do total. A empresa continua captando pela estrutura presencial, que soma 90 localidades no mapeamento, e busca ampliar a presença física com modelos de campus mais enxutos.

CompanhiaPolos liberados pela via aceleradaCaptaçãoEfeito projetado pela XP
Cogna113 (57 já com turmas)retomada no 3T26até R$ 24 mi no 2S26 (~1% do ensino superior)
Vitru (VTRU3)36começa no 1S270,9% da receita de 2026
Yduqs (YDUQ3)fora do processomantida pela estrutura presencial (90 localidades)R$ 50 mi não realizados em 2026 (~1%)
Ser Educacional (SEER3) e Cruzeiro do Sul (CSED3)não informadoestrutura presencialnão estimado

Os gatilhos de 2027: marco integral, novos polos e ticket de R$ 700

  • A implementação integral do marco regulatório do ensino a distância, prevista para 2027, quando o calendário de matrículas ganha peso.
  • Se as companhias que já têm polos liberados começam a captar antes desse ciclo ou preferem aguardar.
  • A dinâmica do ticket médio mensal, hoje na casa de R$ 700, usada pela Cogna para avaliar demanda e sensibilidade a reajustes.
  • O avanço dos campi mais enxutos, modelo que a Yduqs adota para reforçar a presença física.

Para quem acompanha as companhias de educação negociadas na B3, o novo marco cria uma assimetria temporária: quem já operava com estrutura presencial dilui o custo da transição, enquanto quem dependia do formato híbrido precisa reconstruir a oferta. O efeito no caixa de 2026 tende a ser modesto — na casa de 1% da receita nas três empresas com projeção divulgada pela XP —, mas a fatia de mercado conquistada na largada do ciclo presencial pode ganhar peso à medida que 2027 se aproxima.