R$ 3,3 bilhões investidos em solar não têm gerado retorno esperado: a Engie Brasil Energia avalia mineração de bitcoin em seu complexo Assú Sol (753 MW), maior usina solar do grupo francês, após acumular bilhões em perdas desde 2023 devido a cortes de geração ordenados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Contextualização do Complexo Assú Sol
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Capacidade Instalada | 753 MW |
| Investimento Total | R$ 3,3 bilhões |
| Módulos Fotovoltaicos | 1,5 milhão de unidades |
| Consumidores Equivalentes | 850 mil (equivalente a cidade do Natal-RN) |
O complexo, localizado no Rio Grande do Norte, entrou em operação comercial total em fevereiro de 2024 e tem contratos 100% firmados no mercado livre. Porém, restrições de transmissão do ONS limitam sua produção real, um problema generalizado em renováveis após explosão de geração distribuída solar (+300% nos últimos 5 anos).
Desafios do Curtailment
Curtailment é o termo técnico para limitações operacionais que impedem usinas de gerar energia mesmo com condições adequadas.
Segundo Eduardo Sattamini, CEO no Brasil, os cortes de geração impactam todos os players renováveis, especialmente pequenos produtores. Embora a Engie tenha diversificação tecnológica (eólica, biomassa, GNL), o problema afeta diretamente o ROI do maior ativo solar global do grupo.
| Ano | Quantidade de Projeto Solar (GW) | Curtailment (%) |
|---|---|---|
| 2020 | 2,5 | 5 |
| 2023 | 12,1 | 18 |
| 2024 | 15+ | 22 |
Explorando Bitcoin Mining
A engenharia analisa duas soluções:
- Data centers de mineração: Utilizam energia desperdiçada para validação de transações em blockchain
- Baterias de armazenamento: Acumulam excesso gerado para liberação em horários ponta
Sattamini alerta que implementação exigirá 3-5 anos devido à complexidade regulatória, logística e de infraestrutura. A mineração, por exemplo, demandaria sistemas de refrigeração industriais que aumentariam a carga energética local em 15-20%.
Paralisação de Novos Projetos
Apesar do sucesso técnico em Assú, a Engie não investirá em novas capacidades solares até resolução das distorções de oferta-demanda no mercado de energia: "Enquanto houver sobreoferta diurna e curtailments, não faz sentido expandir", afirmou o executivo.
O que isso significa para o investidor
Cenário otimista: Se solução for implantada até 2027, Engie terá ganhos no EBITDA através de redução de perdas de geração e possíveis receitas de ativos digitais associados à mineração.
Cenário pessimista: Atrasos regulatórios e falta de estrutura de transmissão prolongam os cortes, mantendo pressão nos múltiplos de energia (cotações em queda de 19% desde 2022). A exposição a energia solar terrestre no Brasil se desvaloriza em carteiras mistas.
Impacto macro: O caso reflete desafios de infraestrutura energética na transição verde. Enquanto Selic se mantém em 13,75%, custos de financiamento elevam pressão nos balanços das concessionárias.
Riscos
- Regulação negativa para mineração de ativos digitais no Brasil
- Continuidade dos curtailments após 2025
- Volatilidade do bitcoin (negociado a US$ 58.000 em fev/24) afeta viabilidade econômica
- Escalabilidade geográfica limitada do modelo experimental
Próximos Passos
O monitoramento da audiência pública da Aneel sobre regras de transmissão para grandes renováveis em junho de 2024 é crucial. Também devem ser observadas parcerias com empresas de mineração que possam alavancar a infraestrutura existente.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
