A Engie Brasil Energia (EGIE3) aprovou nesta terça-feira (10) a realização de uma oferta pública de distribuição primária de ações, operação que visa captar recursos no mercado e integrar ao seu portfólio os 40% da Jirau Energia S.A. atualmente sob controle da acionista Engie Brasil Participações Ltda. (EBP). A contribuição do ativo pela controladora será realizada mediante emissão de novas ações, avaliadas em R$ 5,744 bilhões.

Comunicado por meio de fato relevante, o processo está sujeito à aprovação dos acionistas na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) marcada para 2 de julho de 2026. A operação seguirá o rito de registro automático na CVM e terá coordenação do Itaú BBA (líder) e do Santander Brasil, com esforços de colocação de ações também no exterior.

Estrutura da operação e avaliação técnica

A estrutura prevê que a EBP utilize a participação na usina hidrelétrica como forma de pagamento (integralização) das novas ações ordinárias que subscrever. A validação contou com a participação do Comitê Especial Independente para Transações com Partes Relacionadas, garantindo conformidade com as boas práticas de governança.

Localizada no rio Madeira, em Rondônia, a Usina Hidrelétrica Jirau detém 50 unidades geradoras em operação e capacidade instalada de 3.750 MW. O laudo de avaliação da Apsis Consultoria (data-base 31/12/2025) indicou intervalo de valor justo entre R$ 5,39 bi e R$ 5,93 bi. O montante final de R$ 5,744 bilhões considera a atualização do valor de referência pela metodologia locked box, com correção pela taxa CDI até 30 de junho de 2026.

  • Objetivo estratégico: ampliar a capacidade de geração instalada com um ativo já operante, sem necessidade de captação de dívida adicional ou financiamento bancário para a aquisição.
  • Condições prévias: aprovação do laudo e do valor de contribuição na AGE, além da homologação final pelo Conselho de Administração e das condições de mercado.
  • Coordenação: Itaú BBA e Santander, com agentes de colocação internacional associados.

O que muda para investidores

Para o acionista de mercado, a operação traz implicações práticas diretas. O destaque é o direito de preferência: caso a oferta seja efetivada, os acionistas atuais terão prioridade para subscrever as novas ações na exata proporção de sua participação, evitando a diluição de sua fatia no capital da EGIE3.

Em paralelo, a companhia informou a descontinuidade da divulgação de projeções financeiras (guidance). A mudança visa alinhar a Engie Brasil aos procedimentos regulatórios e de mercado para ofertas públicas, tanto no Brasil quanto no exterior. A administração ressalta que quaisquer declarações prospectivas envolvem riscos e incertezas, não configurando garantia de resultados futuros.

A concretização da oferta dependerá do interesse dos investidores, das condições do mercado financeiro e dos trâmites societários finais. A Engie Brasil manterá a atualização de todos os detalhes pelos canais oficiais da B3 e da CVM.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.