A Engie Brasil anunciou estudos para utilizar energia excedente em seu maior complexo solar, o Assú Sol (RN), para mineração de Bitcoin. A iniciativa busca transformar em receita a energia que hoje é perdida devido a limitações da infraestrutura de transmissão, num complexo operacional desde fevereiro de 2026 com investimento total de R$ 3,3 bilhões.
Portfólio renovável da Engie
Com 15,7 GW de capacidade instalada em fontes renováveis no Brasil, a Engie opera a maior carteira integrada de energia limpa do país, composta por:
- Usinas hidrelétricas
- Parques eólicos
- Complexos solares
O grupo detém ainda 3.200 km de linhas de transmissão e 22 subestações, além do recém-inaugurado complexo eólico Serra do Assuruá (846 MW) na Bahia, que entrou em operação comercial plena em dezembro de 2025.
Detalhes do complexo Assú Sol
O maior ativo solar da Engie no mundo tem características técnicas expressivas:
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Capacidade total | 753 MW |
| Área ocupada | 2,3 mil hectares |
| Investimento | R$ 3,3 bilhões |
| Coverage | Energia para 850 mil habitantes/ano |
Cortes de geração (curtailment) e sua origem
O fenômeno conhecido como curtailment – limitação de injeção de energia no sistema por congestionamento da rede – tem afetado ativos renováveis brasileiros. No caso do Assú Sol, a falta de expansão proporcional em linhas de transmissão diante do rápido crescimento de projetos solares e eólicos gera perdas técnicas e financeiras para os geradores.
Mineração de Bitcoin: oportunidades e desafios
Cientista-chefe da Engie Brasil, Eduardo Sattamini afirma que a utilização de energia excedente para mineração de Bitcoin ou data centers dedicados depende de análises técnicas e viagens comerciais:
"O projeto envolve estudos de infraestrutura, modelos econômicos e possíveis parcerias. Não será implementado no curto prazo."
A iniciativa entra na categoria de value added services, prática comum em empresas de energia europeias para agregar receita a ativos existentes. A decisão final integrará critérios de custo-benefício entre expansão em armazenamento de energia e mineração de criptos.
O que isso significa para o investidor
O movimento reflete a adaptação do setor elétrico a novos modelos de monetização. Para investidores, pontos críticos incluem:
- Potencial diversificação de receitas em períodos de baixo PLD (Preço de Liquidação das Diferenças)
- Risco de volatilidade criptográfica impactando ROI (Retorno sobre Investimento)
- Dependência de aprovação de projetos de transmissão no Brasil
No contexto macro, a pressão do Banco Central sobre selic baixa (5,5% em 2026) favorece investimentos em infraestrutura, mas a incerteza regulatória em torno de criptoativos permanece um fator de risco.
Riscos citados na matéria
- Demora em expansão de infraestrutura de transmissão
- Volatilidade de preços do Bitcoin e regulamentação incerta pela CVM
- Competição com produtores de energia solar domésticos
A Engie seguirá avaliando a integração de tecnologias até 2027. O desenvolvimento do projeto pode impactar seu posicionamento no ranking da B3 se transformar energia não injetada em nova linha de receita.
